EUA ampliam pressão comercial sobre o Brasil

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Investigação da Seção 301 abriu nova frente de atrito entre Brasília e Washington e terminou com tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros

Por olhonamídia
Política & Economia | Geopolítica
3 de junho de 2026

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase de tensão em 2026. Uma investigação aberta pelo governo de Donald Trump com base na Seção 301 da legislação comercial americana avançou sobre diferentes políticas brasileiras e colocou temas econômicos, regulatórios e tecnológicos no centro das negociações entre Brasília e Washington.

Em 1º de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, concluiu que determinadas práticas brasileiras eram consideradas, pelo governo americano, prejudiciais ou restritivas ao comércio dos Estados Unidos. A decisão abriu caminho para a adoção de medidas comerciais contra produtos brasileiros.

A investigação havia sido iniciada em julho de 2025 e analisou questões relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação de normas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.

Entre os pontos de maior repercussão estava o mercado de pagamentos eletrônicos. O governo americano sustentou que políticas brasileiras favoreciam um sistema nacional de pagamentos em detrimento de concorrentes estrangeiros. O debate alcançou o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e amplamente utilizado no país.

As conclusões apresentadas pelo USTR representam a posição oficial do governo dos Estados Unidos. O governo brasileiro contestou posteriormente as justificativas utilizadas por Washington e passou a negociar com autoridades americanas para evitar a imposição das medidas propostas.

Naquele momento, porém, a sobretaxa ainda não estava definida. Após a conclusão da investigação, o USTR abriu período para manifestações públicas e marcou audiências destinadas a discutir as possíveis respostas comerciais.

O processo avançou nas semanas seguintes e ampliou o desgaste comercial entre os dois países.

Em 15 de julho, o governo americano anunciou a decisão final de impor uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A medida entrou em vigor em 22 de julho, com uma lista de mercadorias excluídas da nova sobretaxa.

Segundo o governo brasileiro, a tarifa de 25% passou a atingir uma parcela específica das exportações nacionais, enquanto outros produtos permaneceram fora da medida ou sujeitos a diferentes regimes tarifários.

Brasília reagiu oficialmente. O governo brasileiro classificou as medidas como injustificadas e manteve negociações com Washington. Posteriormente, o Brasil também levou a disputa à Organização Mundial do Comércio, questionando a compatibilidade das tarifas americanas com as obrigações comerciais internacionais dos Estados Unidos.

A controvérsia ultrapassou, portanto, o debate sobre tarifas. A investigação colocou em discussão regras para serviços digitais, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, etanol, meio ambiente e outros aspectos da relação econômica bilateral.

Para empresas brasileiras que dependem do mercado americano, a escalada adicionou uma nova camada de incerteza. Mudanças tarifárias podem alterar custos, competitividade e decisões de investimento, principalmente em setores com forte exposição às exportações.

Os Estados Unidos continuam sendo um mercado relevante para produtos brasileiros e um importante parceiro econômico do país. Ao mesmo tempo, a relação bilateral passou a conviver com divergências comerciais que ganharam peso durante o segundo mandato de Donald Trump.

Os dois governos apresentam interpretações distintas sobre a controvérsia. Washington sustenta que determinadas políticas brasileiras prejudicam empresas e produtores americanos. Brasília rejeita essa avaliação e contesta a utilização de sobretaxas como resposta às divergências comerciais.

O episódio também evidencia uma mudança no ambiente internacional. Instrumentos comerciais, tarifas e políticas industriais voltaram a ocupar espaço central nas relações entre grandes economias, aproximando cada vez mais comércio exterior e geopolítica.

Para o Brasil, o desafio passa pela defesa de seus interesses comerciais sem perder espaço em um de seus principais mercados externos, enquanto busca preservar autonomia sobre políticas regulatórias adotadas internamente.

Atualização: esta reportagem foi publicada originalmente em 3 de junho de 2026 e posteriormente atualizada para incorporar a decisão final dos Estados Unidos, anunciada em 15 de julho, de aplicar tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

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