Há carreiras que acabam virando parte da memória de uma cidade. Fredson Navarro construiu a dele circulando por redações, televisão, colunismo social, eventos e bastidores da comunicação sergipana. Duas décadas depois, parte dessas histórias saiu das conversas de corredor e ganhou as páginas de um livro.
Em “O Vagalume – 20 anos de entrevistas e memórias do menino que virou jornalista”, Fredson revisita encontros, personagens e episódios acumulados desde o início da carreira. A obra transforma lembranças profissionais em um passeio pelos bastidores de uma época que também ajuda a contar as mudanças da própria imprensa em Sergipe.
O livro voltou ao centro das atenções em 7 de abril, Dia do Jornalista, durante o “Encontro de Gerações”, realizado em Aracaju. Profissionais e estudantes se reuniram para conversar sobre mudanças tecnológicas, apuração, mercado e os novos desafios de uma profissão que se transformou radicalmente nas últimas décadas.
Mas a noite também ganhou contornos pessoais. Cercado por colegas, convidados e novos profissionais da comunicação, Fredson viu sua própria trajetória se misturar à discussão sobre o futuro do jornalismo.
Era justamente esse contraste que dava sentido ao encontro: de um lado, quem viveu diferentes fases das redações; do outro, uma geração que já entrou na profissão sob a lógica das redes sociais, dos vídeos curtos e da informação em tempo real.
Fredson começou a trajetória profissional na TV Sergipe e, ao longo da carreira, acumulou experiências em diferentes áreas do jornalismo, da produção de conteúdo digital à reportagem, coordenação e edição.
Mas existe outra face dessa história particularmente próxima do universo do Giro Fama: o colunismo social.
À frente do Olho Vivo, Fredson acompanhou festas, premiações, personalidades, empresários, comunicadores e personagens da vida pública sergipana. É um território em que jornalismo, sociedade e imagem pública frequentemente se encontram — e onde histórias que dificilmente aparecem diante das câmeras começam a circular nos bastidores.
Parte desse universo atravessa “O Vagalume”. O livro reúne episódios e experiências ligados a entrevistas realizadas ao longo da carreira, transformando encontros profissionais em memória.
Formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Tiradentes, Fredson atravessou justamente o período em que o jornalista deixou de trabalhar apenas para jornal, rádio ou televisão e passou a conviver também com portais, redes sociais, podcasts e produção de conteúdo multiplataforma.
Sua trajetória passou por diferentes veículos e projetos de comunicação, enquanto o colunismo social manteve uma presença importante nessa história. O Olho Vivo continua associado ao seu nome no Cinform, preservando uma vertente tradicional da imprensa sergipana em pleno ambiente digital.


Houve ainda um detalhe que deu outro significado ao encontro. A renda obtida com a venda dos exemplares foi destinada ao Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, aproximando a celebração individual da própria categoria profissional.
No fim, “O Vagalume” funciona menos como um ponto final e mais como um álbum aberto de uma carreira construída entre entrevistas, personagens e bastidores. Para Fredson Navarro, transformar 20 anos de jornalismo em livro significou colocar no papel histórias que, durante muito tempo, viveram apenas na memória — ou nas conversas de quem estava por perto quando elas aconteceram.