Crise na USP expõe tensão política e coloca Tarcísio no centro do debate

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Desocupação da Reitoria pela Polícia Militar leva disputa sobre permanência estudantil para o campo político; USP repudiou a violência registrada, enquanto Tarcísio defendeu a legalidade da atuação policial.


Por olhonamídia

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27 de maio de 2026


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Da permanência estudantil à ação da PM: como a crise da USP chegou ao governo Tarcísio


Ocupação da Reitoria, divergências sobre assistência aos estudantes e uma operação policial contestada pela própria universidade transformaram uma disputa acadêmica em questão política estadual.


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O que começou como uma disputa entre estudantes e a administração da Universidade de São Paulo sobre políticas de permanência ganhou outra dimensão quando a Reitoria foi ocupada e, três dias depois, a Polícia Militar entrou no campus para retirar os manifestantes. A partir daquele momento, a crise deixou de estar limitada aos corredores da universidade e alcançou diretamente o governo de Tarcísio de Freitas.

Os estudantes ocuparam o prédio da Reitoria em 7 de maio, após divergências nas negociações com a administração universitária. Entre as reivindicações estava o reajuste do auxílio permanência destinado a alunos de baixa renda. Naquele momento, o benefício era de R$ 885 mensais; o movimento reivindicava R$ 1.804, enquanto a Universidade apresentava proposta de R$ 912.

A própria Reitoria condenou a ocupação. O reitor Aluisio Segurado classificou a entrada dos manifestantes no prédio como uma agressão ao patrimônio público e afirmou que portas e estruturas haviam sido danificadas, além de atividades administrativas terem sido interrompidas.


A madrugada que mudou o tamanho da crise

Na madrugada de 10 de maio, a Polícia Militar desocupou o saguão da Reitoria. A operação começou por volta das 4h15 e durou aproximadamente 15 minutos. Quatro estudantes foram detidos e posteriormente liberados.

A partir daí surgiram versões conflitantes sobre a atuação policial. Estudantes relataram uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes e afirmaram que houve feridos. A Secretaria da Segurança Pública sustentou que a ação foi concluída sem registro de feridos e informou que as imagens das câmeras corporais dos policiais seriam anexadas aos autos.


A USP afirmou não ter sido previamente informada sobre a operação de desocupação e repudiou a violência registrada. O governo paulista apresentou outra leitura da ação e Tarcísio defendeu que a Polícia Militar atuou dentro da legalidade.


Tarcísio entra no centro do debate

A divergência entre as versões deslocou o debate. A discussão deixou de tratar apenas das reivindicações estudantis e passou a envolver também a atuação da Polícia Militar, os limites da intervenção do Estado dentro da universidade e a autonomia institucional da USP.

Tarcísio defendeu a atuação policial e afirmou que eventuais denúncias de excesso deveriam ser investigadas. Dentro da própria USP, unidades e setores acadêmicos manifestaram críticas à forma como ocorreu a retirada dos estudantes, enquanto a Secretaria da Segurança Pública sustentou a legalidade da operação.

Há, portanto, duas discussões que não devem ser confundidas. Uma diz respeito à legitimidade das reivindicações, à negociação com a Reitoria e aos métodos adotados pelo movimento estudantil. Outra envolve a forma como o poder público respondeu à ocupação e se houve excesso durante a ação policial.

A crise da USP ganhou relevância justamente porque reuniu essas duas frentes. Uma disputa concreta sobre permanência estudantil terminou envolvendo ocupação, patrimônio público, ação policial, autonomia universitária e responsabilidade política. O episódio mostra como um conflito interno de uma universidade pode rapidamente atravessar os limites do campus e se transformar em questão de governo.


Créditos:

reprodução/YouTube — conteúdo audiovisual incorporado à análise do Olho Play.


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