Tom Hardy passou boa parte da carreira apanhando diante das câmeras. O problema é que, aos 49 anos, o corpo começou a guardar os recibos.
O homem que encarou Batman como Bane, atravessou o deserto de Mad Max: Estrada da Fúria e passou três filmes carregando Venom nas costas chegou a um ponto em que a brutalidade dos personagens deixou marcas que não desaparecem quando o diretor grita “corta”.
Duas cirurgias no joelho, hérnia de disco, dores no nervo ciático, fascite plantar e uma lesão no quadril entraram na lista que o próprio ator já tornou pública ao falar sobre o preço físico de tantos anos dedicado a personagens exigentes.
Quando surgiram, em abril, notícias de que Hardy pretendia diminuir drasticamente o ritmo e passar um período longe das grandes produções, a explicação parecia bastante simples.
O corpo havia cobrado a conta.
Mas Hollywood resolveu complicar o roteiro.
Porque, enquanto Tom Hardy falava em desacelerar, outra batalha começava longe das cenas de ação — e desta vez os golpes vinham dos bastidores.
Em maio, o nome de Hardy explodiu no noticiário internacional por razões bem diferentes de joelhos machucados ou franquias milionárias.
Reportagens passaram a apontar problemas nos bastidores de MobLand, série criminal do Paramount+ em que ele interpreta Harry Da Souza ao lado de Pierce Brosnan e Helen Mirren.
A situação rapidamente ganhou contornos de novela.
Primeiro, vieram informações de que Hardy não retornaria para uma eventual terceira temporada após atritos envolvendo o produtor e roteirista Jez Butterworth, a produtora 101 Studios e outros integrantes da produção.
Também surgiram relatos sobre atrasos, divergências criativas e interferências do ator no roteiro.
Durante alguns dias, parecia que Harry Da Souza poderia desaparecer da série não por decisão do personagem, mas porque seu intérprete havia atravessado uma linha perigosa nos bastidores.
Para um ator conhecido por interpretar homens difíceis, a ironia praticamente escreveu a própria manchete.
Mas então começou a segunda temporada da confusão.
A informação de que Hardy havia sido simplesmente “demitido” passou a ser contestada. Fontes ligadas à produção afirmaram que ele não havia sido formalmente dispensado e que conversas continuavam acontecendo para resolver as diferenças criativas.
Ou seja: o cadáver ainda estava respirando.
As conversas avançaram.
Hardy e integrantes da produção se reuniram em Londres para tentar resolver as divergências, e Guy Ritchie — produtor executivo da série e antigo parceiro do ator — apareceu entre os nomes interessados em encontrar uma saída para o impasse.
No fim de junho, veio a primeira grande virada: Hardy estava novamente nos planos de MobLand.
Em setembro, acabou a especulação.
O Paramount+ confirmou oficialmente a terceira temporada da série e anunciou o retorno de Tom Hardy como Harry Da Souza, novamente ao lado de Pierce Brosnan e Helen Mirren.
Depois de meses em que o ator foi dado como fora, possivelmente demitido, em negociação e novamente dentro, o personagem sobreviveu à maior ameaça enfrentada até agora.
Os próprios bastidores.
E existe um detalhe que torna a história ainda mais interessante: Hardy não voltou para uma produção esquecida tentando sobreviver.
MobLand se tornou uma das séries de destaque do Paramount+, e a segunda temporada estreou em 18 de setembro com o ator novamente ocupando posição central na trama.
Helen Mirren e outros integrantes do elenco também rebateram publicamente versões sobre um ambiente completamente destruído pelas supostas desavenças.
A poeira baixou.
O contrato — ou pelo menos a disposição para continuar trabalhando juntos — falou mais alto.
É justamente aqui que a história publicada originalmente pelo Giro Fama em maio muda de direção.
Tom Hardy realmente havia dado sinais de desgaste.
E não eram sinais abstratos.
Em entrevista, o ator descreveu o próprio corpo como alguém que estava, em tradução livre, “caindo aos pedaços”. As lesões acumuladas por anos de ação deixaram claro que continuar trabalhando no mesmo ritmo cobraria um preço cada vez maior.
Isso não significou aposentadoria.
Também não significou desaparecer.
Significou algo talvez mais difícil para um astro acostumado a entregar intensidade máxima: escolher onde ainda vale a pena gastá-la.
Hardy encerrou sua trajetória como Eddie Brock na trilogia Venom, mas permaneceu ativo como ator e produtor. MobLand continua em sua agenda e, longe de abandonar completamente outros interesses, ele também mantém projetos fora do padrão tradicional de astro de ação.
A imagem daquele homem indestrutível das telas, portanto, começa a dividir espaço com outra versão.
Um Tom Hardy mais seletivo.
Não necessariamente mais tranquilo.
Os bastidores de MobLand que o digam.
A reconciliação em MobLand ainda deixa perguntas sobre o que realmente aconteceu nos bastidores.
Houve relatos conflitantes, versões atribuídas a fontes da produção e acusações que não receberam confirmação pública individual de todos os envolvidos.
O que pode ser afirmado é mais simples: houve divergências, a permanência de Hardy virou dúvida pública, as partes voltaram a conversar e o ator acabou confirmado para continuar.
Talvez seja menos explosivo do que escolher um vilão para a história.
Mas é mais verdadeiro.
E, para Tom Hardy, representa uma reviravolta curiosa.
Em abril, discutia-se quanto tempo seu corpo ainda suportaria Hollywood.
Em maio, discutia-se se Hollywood ainda suportaria Tom Hardy.
Quatro meses depois, os dois continuam juntos.
Machucados, provavelmente. Separados, ainda não.