Michelle Bolsonaro rouba olhares em noite de poder no TSE

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Entre ministros, primeiras-damas e alguns encontros improváveis, Michelle Bolsonaro chamou atenção na posse de Nunes Marques — e mostrou que, em Brasília, distância também comunica
Por Geo D’Anjos
Coluna Giro Fama | Alta Sociedade
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14 de maio de 2026

Brasília tem cerimônias em que o discurso acontece no microfone. Em outras, basta observar quem sentou ao lado de quem, quem cumprimentou quem — e quem simplesmente seguiu adiante.

A posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, em 12 de maio, entregou um pouco dos dois.

O plenário reuniu ministros do Supremo, integrantes do governo, lideranças do Congresso, nomes da oposição e personagens que estarão no centro das atenções durante o ano eleitoral. Mas, fora da mesa principal, uma das fileiras mais observadas tinha Michelle Bolsonaro.

A ex-primeira-dama apareceu ao lado da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e muito próxima de Yara Lewandowski e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Para uma noite institucional, o mapa de lugares estava particularmente interessante.

Uma fileira que Brasília adorou observar

Michelle e Viviane chegaram a se cumprimentar e trocar algumas palavras. Entre elas estava Yara Lewandowski, esposa do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

A cena chamou atenção justamente pelo histórico político que cerca os sobrenomes envolvidos. Alexandre de Moraes esteve no centro de decisões judiciais relacionadas a Jair Bolsonaro, mas isso não impediu que o protocolo social funcionasse.

E funcionou novamente quando o próprio Moraes encontrou Michelle.

Os dois se cumprimentaram durante a cerimônia, em uma demonstração pública de civilidade que ganhou repercussão justamente porque, fora daquele salão, seus respectivos ambientes políticos acumulam anos de tensão.

Alta sociedade política tem dessas coisas: adversários podem travar guerras durante o dia e dividir o mesmo salão à noite.

Michelle apostou no protocolo

Visualmente, Michelle também escolheu não competir com a solenidade.

O preto predominante, combinado com detalhes brancos, produziu uma imagem clássica e sóbria para um ambiente institucional. Sem extravagância e sem necessidade de transformar a passagem pelo TSE em tapete vermelho.

Mas discrição, em Brasília, não significa invisibilidade.

Fotógrafos acompanharam seus movimentos, conversas ganharam atenção e até cumprimentos rápidos passaram a ser interpretados politicamente.

É o preço — e também a curiosidade — que acompanha personagens públicos em ambientes de poder: até um gesto protocolar pode virar manchete.

E nem toda distância precisa virar cena

Na mesma cerimônia também estava a primeira-dama Janja. Em um salão com tantas diferenças políticas concentradas em poucos metros, seria inevitável que os olhares procurassem encontros, cumprimentos e fotografias.

Mas existe uma regra antiga dos ambientes sociais que continua bastante útil em Brasília: educação não exige intimidade.

Michelle cumprimentou pessoas ligadas a um campo institucional profundamente conflituoso com o bolsonarismo e manteve o protocolo sem transformar cada aproximação em demonstração pública de amizade.

E talvez aí esteja a melhor alfinetada daquela noite: não é preciso colecionar intimidades para demonstrar trânsito social.

Em ambientes onde imagem vale tanto quanto palavra, saber onde permanecer, quando cumprimentar e quando simplesmente seguir adiante também faz parte do jogo.

Nem toda fotografia acrescenta prestígio. Nem toda proximidade precisa ser exibida. E nem toda companhia merece virar performance para as câmeras.

O detalhe que ninguém deixou passar

O encontro com Alexandre de Moraes talvez tenha sido o exemplo mais interessante da noite.

Michelle poderia ter transformado a situação em constrangimento público. Moraes também. Nenhum dos dois escolheu esse caminho.

Houve cumprimento e o evento seguiu.

O gesto não apaga divergências, processos ou conflitos políticos. Também não permite concluir que exista aproximação política entre eles. Mostra apenas que protocolo e disputa conseguem ocupar o mesmo ambiente.

E, para uma coluna interessada justamente naquilo que acontece entre poder, imagem e comportamento, esse pequeno momento diz bastante sobre Brasília.

O luxo de não precisar forçar a cena

Michelle deixou o Palácio da Alvorada há anos, mas continua despertando atenção de fotógrafos, aliados, adversários e público. Naquela noite, porém, o elemento mais interessante não foi medir sua força política ou antecipar o que as urnas poderão dizer.

Foi observar sua movimentação dentro daquele ambiente.

Entre cumprimentos improváveis, esposas de ministros, autoridades, diferenças políticas e câmeras procurando qualquer gesto fora do roteiro, ela optou pelo protocolo.

E, em uma Brasília cada vez mais acostumada ao espetáculo, talvez o detalhe mais colunável seja justamente este: saber aparecer também significa saber quando não forçar uma cena.

Geo D'Anjos
Geo D'Anjoshttps://olhonamidia.com
Geo D'Anjos é jornalista, editor-chefe do Olho na Mídia e CEO do Grupo Midiora. Com mais de 18 anos de experiência, atua em jornalismo digital, comunicação institucional, produção de conteúdo editorial, SEO e desenvolvimento de projetos de mídia online.

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