Miranda Priestly não apareceu. Andy Sachs também não. Mas o Rio entendeu perfeitamente o dress code.
A pré-estreia brasileira de O Diabo Veste Prada 2 transformou o centro histórico carioca em uma enorme passarela e entregou exatamente aquilo que se esperava de um evento associado a uma das franquias mais fashionistas do cinema: moda, celebridades, exageros e uma boa dose de gente querendo ser observada.
Realizada em 23 de abril, a noite ocupou o entorno do Theatro Municipal e do Cine Odeon, conectados por um grande tapete vermelho a céu aberto. A produção assumiu sem pudor a estética da revista Runway e colocou os convidados para desfilar antes da exibição do filme.
E, se Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci ficaram reservados ao circuito internacional de divulgação, o Brasil resolveu produzir seu próprio espetáculo.
A abertura do tapete vermelho ficou justamente com duas brasileiras que conhecem passarela de verdade: Carol Trentini e Isabeli Fontana.
A escolha foi bastante inteligente. Em vez de tentar reproduzir artificialmente uma première hollywoodiana sem suas protagonistas, o evento puxou o foco para aquilo que o Brasil poderia entregar com propriedade: moda.
Depois delas, vieram atrizes, apresentadores, influenciadores, músicos e personagens da internet. Sabrina Sato, Flávia Alessandra, Gabriela Loran, Pedro Novaes, Duda Beat, Tati Quebra Barraco e muitos outros atravessaram a noite sob flashes e celulares.
O filme estava no cinema. A disputa por atenção, definitivamente, estava do lado de fora.



Se a proposta era interpretar o universo de O Diabo Veste Prada, os convidados levaram a missão a sério — alguns talvez até demais.
Transparências, brilhos, volumes, corsets, tecidos estruturados e referências dramáticas apareceram pelo tapete vermelho. O resultado foi uma mistura deliciosa de première, semana de moda e aquela competição silenciosa que acontece quando todo mundo sabe que haverá uma câmera esperando na entrada.
Carol Trentini jogou em território conhecido. Modelo internacional e escolhida para abrir a passarela, apareceu com uma construção delicada e sofisticada, coerente com a atmosfera fashion do evento.
Tati Quebra Barraco foi para outra direção. Em vez de tentar competir pela elegância convencional, levou personalidade e irreverência para o tapete — porque seria bastante estranho esperar discrição justamente de Tati Quebra Barraco.
Giullia Buscacio apostou em uma leitura mais limpa, deixando o preto e a modelagem fazerem o trabalho sem acrescentar informação demais.
Quando todo mundo tenta gritar através da roupa, às vezes o verdadeiro luxo é não precisar aumentar o volume.
Na imagem destacada desta reportagem, Isabeli Fontana resume bem o espírito daquela noite.
Uma das modelos brasileiras de maior projeção internacional entrou no tapete vermelho sem precisar transformar a roupa em fantasia temática. O vestido preto de paetês entregava brilho suficiente para conversar com a ocasião, enquanto a construção mais direta preservava aquilo que uma top experiente conhece bem: roupa e mulher não precisam disputar quem aparece primeiro.
Ao lado de Carol Trentini, Isabeli também teve a missão simbólica de abrir a passarela da pré-estreia.
Era uma maneira bastante brasileira de responder à ausência do quarteto principal do filme: se Miranda não veio, colocaram duas tops brasileiras para abrir os trabalhos.
E naturalmente havia Sabrina Sato.
A apresentadora escolheu um vestido vermelho Marc Jacobs e fez aquilo que costuma fazer em grandes eventos: tratou o tapete vermelho como parte do espetáculo.
Não era uma produção criada para passar discretamente pelos fotógrafos. Nem deveria ser.
Em uma noite inspirada no universo de Miranda Priestly, aparecer fazia parte do convite.
Camila Coutinho e outros nomes ligados à moda e à influência digital também reforçaram uma característica evidente da pré-estreia brasileira: o evento não estava interessado apenas em reunir atores.
Queria gente capaz de fazer a roupa continuar circulando na internet muito depois do fim do tapete vermelho.
Havia, claro, uma ausência impossível de ignorar.
Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci não estavam na pré-estreia brasileira. Dias antes, o elenco principal havia participado da première mundial no Lincoln Center, em Nova York, ao lado de outros nomes ligados à produção.
Isso colocou o evento carioca em outra categoria.
Não era uma extensão brasileira da première internacional com o elenco desembarcando para encontrar fãs. Era uma celebração local construída em torno do universo do filme — e, principalmente, da conexão entre O Diabo Veste Prada e a moda.
Vista dessa maneira, a profusão de modelos, influenciadores e celebridades brasileiras deixa de parecer improviso e passa a fazer sentido como estratégia.
O Brasil não tinha Miranda Priestly.
Então criou sua própria Runway no centro do Rio.
O Diabo Veste Prada 2 chegou aos cinemas brasileiros em 30 de abril, quase duas décadas depois do filme que transformou Miranda Priestly, Andy Sachs, Emily Charlton e Nigel em personagens da cultura pop.
Mas naquela noite de 23 de abril, no Rio, o roteiro era outro.
Antes que as luzes do cinema se apagassem, já havia gente suficiente produzindo assunto do lado de fora: modelos desfilando, famosos posando, influenciadores gravando, fotógrafos disputando ângulos e roupas sendo julgadas em tempo real nas redes.
Alguns looks acertaram pela medida. Outros apostaram no exagero. E alguns provavelmente seriam eliminados por Miranda antes mesmo do primeiro café.
Mas convenhamos: numa première de O Diabo Veste Prada 2, passar despercebido talvez fosse o único erro realmente imperdoável.