A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas uma curiosidade já chama atenção nos bastidores da competição: alguns jogadores nascidos no Brasil estarão em campo defendendo outras seleções nacionais. O fenômeno não é novo, mas ganha dimensão especial em um Mundial que reunirá 48 países e refletirá, talvez como nunca antes, a globalização do futebol.
Entre as seleções já classificadas para o torneio, Catar, Paraguai e Portugal contam com atletas nascidos em território brasileiro. Cada caso possui uma história diferente, mas todos revelam como as fronteiras do futebol moderno se tornaram mais flexíveis ao longo das últimas décadas.
Enquanto a Seleção Brasileira mantém a tradição de utilizar apenas jogadores nascidos no país, diversas equipes chegam ao Mundial com elencos formados por atletas que carregam mais de uma nacionalidade ou construíram suas carreiras longe do local onde nasceram.
Um dos exemplos mais conhecidos é o de Matheus Nunes, atualmente no Manchester City. Nascido no Rio de Janeiro, o meio-campista mudou-se ainda criança para Portugal, onde iniciou sua formação esportiva e construiu toda a trajetória profissional. Após se destacar por Sporting e Wolverhampton, chegou ao atual campeão inglês e consolidou espaço na seleção portuguesa.
A Copa de 2026 será a segunda participação de Matheus em Mundiais. Ele já integrou o elenco de Portugal na edição realizada no Catar, em 2022, e hoje é visto como uma das peças importantes da renovação da equipe europeia.
Outro caso que chama atenção envolve Maurício, meia do Palmeiras. Nascido em São Paulo e com passagens pelas categorias de base da Seleção Brasileira, o jogador obteve a nacionalidade paraguaia após iniciar o processo de cidadania. A possibilidade abriu caminho para que ele passasse a integrar os planos da seleção do Paraguai, que busca recuperar protagonismo no cenário sul-americano.

A lista também inclui Lucas Mendes, defensor de 35 anos nascido em Curitiba. Revelado pelo Coritiba e com passagem pelo Olympique de Marselha, o jogador construiu grande parte da carreira no futebol do Catar, onde atua desde 2014. A longa permanência no país permitiu sua naturalização, tornando-o elegível para defender a seleção catari.
Curiosamente, Lucas Mendes chegou a ser lembrado pelo futebol brasileiro. Em 2012, apareceu entre os pré-convocados do técnico Mano Menezes para os Jogos Olímpicos de Londres, mas nunca chegou a atuar pela equipe principal do Brasil.
O Catar ainda conta com outro nome ligado ao Brasil. Trata-se de Edmilson Júnior, atacante nascido na Bélgica e filho de brasileiros. Embora nunca tenha atuado profissionalmente no futebol brasileiro, o jogador possui dupla nacionalidade e integra o elenco da seleção do país do Oriente Médio.
A presença desses atletas em seleções diferentes da brasileira é resultado das regras estabelecidas pela FIFA para mudanças de representação nacional. A entidade permite que jogadores defendam outro país desde que cumpram critérios específicos, como nacionalidade reconhecida, vínculos familiares ou períodos mínimos de residência. Além disso, o atleta não pode ter disputado partidas oficiais pela seleção principal do país que representava anteriormente.
Mais do que uma questão burocrática, esses casos ajudam a explicar uma transformação profunda do futebol internacional. Em uma era marcada por migrações, dupla cidadania e carreiras construídas em diferentes continentes, a identidade esportiva deixou de ser determinada apenas pelo local de nascimento.
Na Copa de 2026, enquanto o Brasil buscará mais uma vez o sonhado hexacampeonato, alguns brasileiros terão a oportunidade de viver o mesmo palco vestindo outras camisas. Histórias diferentes, trajetórias distintas e um retrato fiel de um futebol cada vez mais conectado ao mundo.