Mitidieri tenta transformar gestão e alianças em votos, enquanto Valmir de Francisquinho e Ricardo Marques disputam espaço na oposição; denúncias, propaganda, decisões judiciais e pesquisas conflitantes elevam a temperatura da corrida pelo Governo de Sergipe
A eleição para o Governo de Sergipe entrou em uma fase na qual já não basta acompanhar pesquisas e agendas de campanha. A disputa chegou aos tribunais, às ruas, às redes sociais e à fiscalização da propaganda eleitoral.
Fábio Mitidieri (PSD) tenta conquistar um segundo mandato carregando o peso e a exposição de quem ocupa o Governo do Estado. Valmir de Francisquinho (Republicanos) retorna à disputa quatro anos depois do conturbado processo eleitoral de 2022. Ricardo Marques (PL), vice-prefeito de Aracaju, tenta ampliar seu espaço e oferecer outra alternativa dentro do campo oposicionista.
O confronto ganhou ainda uma dimensão nacional. Mitidieri declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Valmir e Ricardo disputam parcelas de um eleitorado de oposição em que setores da direita têm presença importante.
Mas há uma guerra paralela acontecendo.
Denúncias de propaganda irregular, representações eleitorais, direito de resposta, vídeos removidos, fiscalização nas ruas e acusações nas redes mostram que a eleição sergipana também virou uma batalha pelo controle da narrativa.
A guerra pelo Palácio dos Despachos
Sergipe possui seis candidaturas ao Governo em 2026, embora Fábio Mitidieri, Valmir de Francisquinho e Ricardo Marques concentrem parte expressiva das intenções de voto registradas pelos levantamentos mais recentes.
Mitidieri entra na corrida com a estrutura política de um governador que busca a reeleição. Valmir tenta transformar sua força histórica em Itabaiana e sua presença no interior em uma candidatura estadual novamente competitiva. Ricardo procura crescer a partir de Aracaju e da estrutura partidária do PL.
As trajetórias são diferentes. O destino pretendido é o mesmo: o comando do Governo de Sergipe a partir de 2027.
Mitidieri: governar enquanto disputa votos
A posição de Fábio Mitidieri é peculiar porque ele não deixa de ser governador durante a campanha.
Obras continuam sendo entregues. Programas públicos seguem funcionando. Secretários permanecem em atividade. Eventos institucionais continuam acontecendo. A comunicação oficial do Estado não desaparece porque existe uma eleição.
Ao mesmo tempo, a exposição proporcionada pelo exercício do cargo coloca uma lupa sobre a fronteira entre atividade administrativa e interesse eleitoral.
Essa fronteira não pode ser definida por conveniência política.
Uma agenda oficial não se transforma automaticamente em abuso porque o governador é candidato. Da mesma forma, o fato de determinada ação ser apresentada como institucional não impediria sua fiscalização caso surgissem elementos concretos de desvio de finalidade ou utilização eleitoral da estrutura pública.
O critério precisa ser objetivo: documento, legislação, circunstância, contraditório e decisão da Justiça.
Contratos de R$ 70 milhões entram no ambiente político
Outro assunto passou a integrar o debate em torno da administração estadual. Reportagem da Folha de S.Paulo informou que o Governo de Sergipe firmou contratos que, somados, ultrapassam R$ 70 milhões com a G3 Empreendimento, empresa pertencente a Fernanda Fontes Santana, filha do político Manuel Marcos, do PSD, partido de Mitidieri.
Segundo a reportagem, entre as contratações aparecem um contrato emergencial de aproximadamente R$ 5,3 milhões com a Casa Civil e, posteriormente, um pregão eletrônico de cerca de R$ 54 milhões, além de outros contratos.
A existência dos contratos e da relação familiar, isoladamente, não comprova irregularidade, favorecimento eleitoral ou uso da máquina pública.
O Governo de Sergipe afirmou que as contratações obedeceram à legislação. A empresa declarou possuir capacidade técnica e financeira e atuar em conformidade com as normas.
O caso merece acompanhamento jornalístico justamente porque envolve dinheiro público e relação política, mas transformar questionamento administrativo em crime ou ilícito eleitoral sem prova seria substituir fiscalização por acusação.
Lula entra na eleição sergipana
Mitidieri também adicionou um ingrediente nacional à disputa.
Mesmo pertencendo ao PSD, que lançou Ronaldo Caiado à Presidência da República, o governador sergipano declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, por sua vez, manifestou apoio a Mitidieri.
A aproximação nacionaliza parte da disputa estadual e oferece aos adversários a possibilidade de confrontar o governador também a partir das políticas e da imagem do governo federal.
Isso coloca Sergipe diante de uma eleição que mistura governo estadual, disputa presidencial, alianças municipais e identidade ideológica.
Valmir volta ao jogo quatro anos depois
Valmir de Francisquinho carrega para 2026 uma das histórias mais conhecidas da política sergipana recente.
Em 2022, seu registro de candidatura ao Governo foi negado pela Justiça Eleitoral e a decisão acabou mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Quatro anos depois, a situação jurídica apresentada à Justiça Eleitoral é outra.
Em 4 de setembro de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe deferiu por unanimidade o registro da candidatura de Valmir ao Governo.
Uma impugnação apresentada pela Federação Renovação Solidária foi extinta sem julgamento do mérito porque o TRE-SE entendeu que a federação não possuía legitimidade para propor aquela ação na circunscrição.
Isso significa que as alegações apresentadas naquela impugnação não foram julgadas no mérito.
Posteriormente, na análise do pedido de registro, o Tribunal considerou preenchidas as condições de elegibilidade e não identificou outra causa de inelegibilidade naquele processo.
Acusação, extinção processual e julgamento de mérito são coisas diferentes. Em período eleitoral, essa diferença precisa chegar ao leitor sem distorção.
Valmir transforma o interior em campo de batalha
Valmir mantém uma estratégia baseada na presença territorial, especialmente fora da capital. A movimentação já aparecia meses antes do início oficial da campanha e ganhou intensidade à medida que a eleição avançou.
Itabaiana continua sendo uma referência central de sua trajetória, mas uma eleição estadual exige muito mais: alianças municipais, lideranças regionais, vereadores, prefeitos, deputados e capacidade de circular por diferentes territórios políticos.
O interior não é coadjuvante na eleição de Sergipe. É parte decisiva da disputa.
Ricardo Marques tenta quebrar a polarização
Ricardo Marques chega pelo PL com um desafio diferente. Enquanto Mitidieri e Valmir carregam maior exposição estadual e uma história de confronto que remonta a 2022, Ricardo tenta convencer o eleitor de que a disputa não precisa ficar limitada aos dois.
Sua candidatura cria uma questão política relevante dentro da oposição:
a presença do PL amplia o universo de eleitores oposicionistas ou fragmenta votos que poderiam migrar para Valmir?
A pergunta é legítima. A resposta não pode ser inventada.
Somente a evolução das pesquisas, os movimentos de campanha e, finalmente, as urnas poderão demonstrar como os eleitores que se identificam com diferentes setores da oposição irão se distribuir.
A direita chega dividida à disputa
Valmir concorre pelo Republicanos. Ricardo, pelo PL. São candidaturas diferentes, com alianças e estratégias próprias, mas que disputam parcelas de um ambiente político em que existe forte eleitorado contrário ao governo estadual e ao campo político de Lula.
Para Mitidieri, uma oposição dividida pode representar oportunidade eleitoral. Para Valmir e Ricardo, candidaturas diferentes podem significar também maior oferta de alternativas ao eleitor.
O que não é possível afirmar antecipadamente é para onde irão os votos de cada candidatura em eventual segundo turno.
A urna continua sendo soberana sobre as narrativas.
145 denúncias: a propaganda entra na mira da Justiça
A temperatura da eleição pode ser medida também pelos números da fiscalização.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, entre o início do funcionamento do aplicativo Pardal, em 16 de agosto, e 11 de setembro, foram registradas 145 denúncias de possíveis irregularidades na propaganda eleitoral.
Desse total, 76 já haviam resultado na abertura de processos para apuração.
Os registros envolviam propaganda na internet, carros de som e minitrios, outdoors e outdoors eletrônicos, além de publicidade em vias públicas.
O número impressiona, mas exige uma ressalva fundamental: denúncia registrada no Pardal não significa irregularidade comprovada.
Ela é o ponto de partida para fiscalização e eventual apuração.
174 peças apreendidas em apenas dois dias
A fiscalização saiu das telas e chegou às ruas.
Nos dias 19 e 20 de setembro, uma operação do TRE-SE percorreu Aracaju, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro e terminou com a apreensão de 174 wind banners.
Segundo o Tribunal, foram identificadas situações como excesso de peças por conjunto, espaçamento inferior ao permitido, instalação próxima a faixas de pedestres, semáforos e esquinas, ocupação de canteiros centrais, obstrução de circulação e acessibilidade e casos capazes de produzir efeito visual semelhante ao de outdoor.
Das 174 peças recolhidas, 124 estavam em Aracaju, 43 na Barra dos Coqueiros e sete em Nossa Senhora do Socorro.
A própria Justiça Eleitoral informou que a atuação teve também caráter orientativo e que, em muitos casos, equipes de campanha corrigiram as situações ainda durante a fiscalização.
Outdoors disfarçados? Ministério Público leva casos à Justiça
O Ministério Público Eleitoral também passou a questionar judicialmente a utilização dos wind banners.
Em 4 de setembro, o órgão informou ter ajuizado nove representações contra oito candidatos e três partidos ou federações por peças que, segundo o MP Eleitoral, teriam sido posicionadas de forma alinhada e contínua, produzindo efeito visual equivalente ao de outdoor.
O Ministério Público pediu a retirada das peças e aplicação das sanções previstas na legislação.
Novamente, é necessário separar as etapas: representação do Ministério Público é uma acusação submetida à Justiça; não é, sozinha, condenação.
Vorcaro entra na campanha e provoca guerra judicial
Um dos confrontos mais duros da campanha ocorreu nas redes sociais e envolveu Valmir de Francisquinho, Fábio Mitidieri e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Em 8 de setembro, Valmir publicou um vídeo mencionando que o nome de Mitidieri aparecia entre contatos telefônicos atribuídos a Vorcaro e afirmou que Sergipe poderia ter uma “surpresa muito grande”.
O caso foi parar na Justiça Eleitoral.
O TRE-SE determinou a remoção definitiva do vídeo e concedeu direito de resposta a Mitidieri, além de estabelecer multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da determinação.
Segundo a decisão relatada nos autos, a associação feita no vídeo produzia uma descontextualização ao sugerir possível envolvimento do governador em desdobramentos criminais sem apresentar prova individualizada dessa relação.
Valmir contestou essa interpretação.
Ao recorrer, sustentou que a publicação estava baseada em informações divulgadas pela imprensa e citou reportagens da Folha de S.Paulo e da Revista Oeste. Também argumentou que o fato mencionado seria público e que o próprio adversário teria reconhecido a existência de seu nome entre os contatos, embora Mitidieri negue relação ou contato com Vorcaro.
Valmir tentou obter no Tribunal Superior Eleitoral uma medida que suspendesse os efeitos do acórdão regional enquanto seu recurso fosse analisado.
Em decisão de 20 de setembro, a tutela cautelar não teve seguimento pela via processual utilizada. A decisão não equivale a um julgamento definitivo de todas as teses do recurso especial.
O episódio demonstra como um dado verdadeiro pode gerar uma segunda discussão: o que exatamente aquele dado permite concluir?
Ter um nome registrado em uma agenda ou lista de contatos não prova, isoladamente, participação em atividade ilícita. Da mesma forma, a existência de reportagem jornalística sobre determinado fato não transforma automaticamente todas as interpretações políticas derivadas dela em fatos comprovados.
Direito de resposta vira arma e proteção eleitoral
O episódio envolvendo Valmir e Mitidieri revela outra característica da campanha: a disputa pela narrativa agora pode mudar de uma rede social para um tribunal em questão de horas.
Direito de resposta não existe para impedir crítica política. Ele é um mecanismo previsto na legislação eleitoral para situações que preencham os requisitos legais e sejam reconhecidas pela Justiça.
Isso significa que críticas duras, comparações de gestão e cobranças políticas continuam fazendo parte de uma eleição democrática.
Mas existe uma fronteira entre crítica e imputação de fato ofensivo ou descontextualizado — e, quando essa fronteira é questionada, cabe à Justiça Eleitoral decidir no caso concreto.
Ataque religioso contra primeira-dama ultrapassa disputa política
A campanha também produziu um episódio envolvendo a primeira-dama Érica Mitidieri.
No início de setembro, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de um vídeo publicado por um perfil anônimo no Instagram que utilizava referências a religiões de matriz africana para atacar a primeira-dama e atingir eleitoralmente Fábio Mitidieri.
A decisão considerou que o material ultrapassava os limites do debate político e apresentava conteúdo discriminatório de natureza religiosa.
A Justiça também determinou providências destinadas à identificação do responsável pelo perfil.
Há um cuidado indispensável aqui: não existe base, apenas pela existência da postagem, para atribuí-la a Valmir, Ricardo ou às respectivas campanhas.
Sem prova de autoria ou coordenação política, qualquer associação desse tipo seria especulação.
IA e deepfake: a campanha entra em território novo
A eleição de 2026 acontece também sob regras mais específicas para o uso de inteligência artificial.
A regulamentação eleitoral determina que conteúdo sintético multimídia produzido ou manipulado por IA seja identificado de maneira explícita, destacada e acessível, nas hipóteses previstas pelas normas eleitorais.
Também existe proibição expressa ao uso de deepfake para favorecer ou prejudicar candidatura.
Isso cria uma nova fronteira de fiscalização. Um vídeo pode parecer verdadeiro, carregar voz semelhante à de uma pessoa pública e circular milhares de vezes antes que o eleitor perceba que houve manipulação.
A tecnologia tornou a propaganda mais poderosa. Também tornou a verificação mais necessária.
Onde termina o governo e começa a campanha?
Essa continua sendo uma das perguntas centrais da eleição.
Um governador candidato à reeleição não deixa de governar. Prefeitos aliados de candidatos também não deixam de administrar seus municípios. Parlamentares continuam exercendo mandatos.
O problema jurídico surge quando houver utilização indevida da estrutura pública com finalidade eleitoral nas circunstâncias previstas pela legislação.
Por isso, expressões como “uso da máquina” não podem funcionar como condenação automática.
Quando uma campanha acusa a outra, o jornalismo precisa perguntar: qual ato? Qual documento? Qual recurso público? Qual agente? Qual benefício eleitoral alegado? Houve representação? Houve defesa? O que decidiu a Justiça?
Sem essas respostas, existe acusação política. Não necessariamente fato comprovado.
E as prefeituras?
A mesma lupa precisa alcançar as estruturas municipais.
Prefeitos, secretários, servidores, veículos públicos, publicidade institucional, eventos oficiais e contratos municipais também estão submetidos à legislação.
Se o Olho na Mídia investigar eventual utilização eleitoral da estrutura estadual, o mesmo padrão precisa valer para prefeituras administradas por aliados de candidatos da oposição.
Fiscalização seletiva não é fiscalização.
As pesquisas contam Sergipes diferentes
Enquanto a guerra jurídica cresce, os institutos continuam apresentando fotografias diferentes da mesma eleição.
O Real Time Big Data divulgado em 22 de setembro registrou Mitidieri com 43%, Valmir com 38% e Ricardo Marques com 10%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 17 e 21 de setembro e informou margem de erro de dois pontos percentuais.
Na pesquisa AtlasIntel divulgada em 10 de setembro, realizada com 1.260 eleitores entre 4 e 9 de setembro, Mitidieri apareceu com 41,3%, Valmir com 34,2% e Ricardo com 14,4%, com margem de erro de três pontos.
Já o levantamento do INOR realizado entre 1º e 4 de setembro apresentou cenário diferente: Valmir com 38,69%, Mitidieri com 34,11% e Ricardo com 5,33% na pesquisa estimulada.
Outro levantamento, do Instituto França, realizado entre 17 e 19 de setembro, registrou Mitidieri com 46%, Valmir com 28,33% e Ricardo com 3,68% no cenário estimulado.
Quatro levantamentos, diferenças expressivas.
Isso não autoriza escolher apenas a pesquisa que melhor serve a uma narrativa política. Datas, amostras, metodologias e formas de coleta precisam ser consideradas antes de comparações diretas.
Pesquisa mede intenção de voto no período e nas condições em que foi realizada. Não substitui a urna.
Propaganda, denúncia e prova não são a mesma coisa
A campanha eleitoral tem uma característica previsível: cada lado tenta transformar os problemas do adversário em argumento político.
É legítimo que candidatos fiscalizem uns aos outros. É legítimo que questionem contratos, decisões administrativas, promessas e trajetórias.
Mas existe uma diferença decisiva entre discurso de campanha e jornalismo.
Denúncia não é condenação. Representação não é sentença. Investigação não é culpa. Nome em documento não prova participação em crime. Liminar não necessariamente encerra um processo. E decisão processual não deve ser apresentada como julgamento de mérito quando não foi.
Essa será a régua do Olho na Mídia durante a eleição.
A guerra das redes pode ser mais rápida que a verdade
Instagram, WhatsApp, TikTok, YouTube e outras plataformas transformaram a velocidade da disputa eleitoral.
Um corte de poucos segundos pode alcançar milhares de pessoas antes que um documento de dezenas de páginas seja lido. Uma acusação cabe em uma frase. A explicação pode exigir uma reportagem inteira.
É justamente nesse ambiente que cresce a responsabilidade de campanhas, candidatos, plataformas e veículos de comunicação.
O fato de uma acusação viralizar não aumenta sua qualidade probatória.
Propostas não podem desaparecer atrás da guerra
Existe ainda um risco político para todos os candidatos: permitir que denúncias e ataques ocupem tanto espaço que o eleitor termine a campanha sabendo quem acusa quem, mas sem conhecer suficientemente o que cada um pretende fazer no governo.
Segurança pública, emprego, infraestrutura, saúde, educação, abastecimento de água, desenvolvimento regional, mobilidade e equilíbrio fiscal precisam continuar no centro da cobrança.
Para Mitidieri, existe uma pergunta adicional: o que seu governo prometeu e efetivamente entregou?
Para Valmir e Ricardo, a cobrança é outra: quanto custam suas principais propostas, como pretendem executá-las e quais resultados anteriores sustentam a capacidade de realizá-las?
Aracaju e interior disputam atenção
A geografia continua sendo uma das chaves da eleição.
Ricardo carrega sua atuação política na capital. Valmir tem em Itabaiana um dos principais pilares de sua trajetória e procura ampliar sua presença pelo interior. Mitidieri utiliza a capilaridade política própria de um governador e suas alianças municipais.
Sergipe tem 75 municípios. Ganhar uma narrativa nas redes não significa necessariamente ganhar território eleitoral.
2022 está de volta — mas Sergipe mudou
A memória da eleição passada continua atravessando 2026.
Valmir retorna depois da batalha jurídica que marcou sua candidatura anterior. Mitidieri chega agora não apenas como candidato, mas como governador submetendo seu mandato ao julgamento popular. Ricardo tenta impedir que a eleição seja tratada simplesmente como revanche entre os dois.
E, acima de todos eles, existe uma campanha presidencial capaz de influenciar alianças, discursos e mobilização partidária no estado.
Uma eleição cada vez mais quente
Os próximos dias devem aumentar a pressão.
Pesquisas continuarão sendo usadas pelas campanhas. Decisões judiciais serão transformadas em argumentos políticos. Adversários procurarão contradições. Redes sociais acelerarão ataques e respostas. Prefeitos e lideranças municipais serão disputados até o limite.
O Olho na Mídia acompanhará essa guerra sem transformar acusação em fato e sem poupar qualquer grupo político de fiscalização.
Quem governa precisa prestar contas. Quem quer governar precisa demonstrar capacidade. Quem acusa precisa apresentar provas. E quem é acusado tem direito de responder.
No meio da disputa entre Lula, direita, governo, oposição, Justiça Eleitoral, partidos e máquinas políticas existe alguém que não pode ser reduzido a estatística de pesquisa:
o eleitor sergipano.