A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (28). O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou a desistência de sua candidatura e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), os dois nomes defendidos pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A decisão, anunciada a apenas seis dias do primeiro turno, provocou reações de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas apoiadas pelo campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O movimento reorganiza as alianças na reta final da campanha paulista. A justificativa apresentada pelo grupo de Tarcísio é evitar a dispersão de votos entre candidaturas politicamente próximas. Já as adversárias questionam a decisão e o acordo firmado após uma campanha marcada por divergências públicas.
Tebet critica acordo e Marina questiona desistência
Simone Tebet reagiu nas redes sociais afirmando que Salles havia se rendido ao Centrão. A declaração faz referência à aproximação do deputado com André do Prado, candidato que ele próprio vinha criticando durante a campanha.
Marina Silva também se manifestou. Para a candidata da Rede, a retirada de Salles desrespeita seus eleitores e representa uma articulação política destinada a conter as candidaturas progressistas apoiadas por Lula e Fernando Haddad.
As manifestações evidenciam a disputa entre os dois grupos pela representação paulista no Senado. Enquanto Tebet e Marina defendem suas candidaturas, Tarcísio procura reunir seus aliados em torno de Derrite e André do Prado.
De adversários a aliados: a mudança de Ricardo Salles
Um dos aspectos mais relevantes da decisão está no histórico recente de Ricardo Salles com André do Prado.
Durante a campanha, o deputado do Novo questionou a identidade política do candidato do PL, associando-o ao Centrão e criticando sua proximidade com Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda.
Agora, os dois aparecem no mesmo arranjo eleitoral.
Salles justificou a mudança afirmando que as divergências precisam ser superadas diante dos objetivos políticos mais amplos de seu grupo. Tarcísio, por sua vez, apresentou a retirada como um movimento de união.
A mudança mostra como alianças eleitorais podem reunir antigos adversários quando as prioridades de campanha são redefinidas. O episódio também oferece às candidaturas concorrentes um novo argumento para questionar a coerência política do acordo.
O que muda na disputa pelas duas vagas?
São Paulo escolherá dois senadores em 4 de outubro. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, e os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Marina Silva registrou 15% das intenções de voto, Simone Tebet apareceu com 14%, enquanto André do Prado e Guilherme Derrite marcaram 12% cada. Ricardo Salles tinha 4%.
O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas, entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os quatro primeiros nomes estavam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro.
O levantamento foi realizado antes da desistência de Salles. Portanto, não permite determinar como seus eleitores reagirão à mudança nem para quais candidaturas seus votos poderão migrar.
A disputa vai além das candidaturas individuais
O episódio também evidencia a importância política da composição do Senado a partir de 2027.
As candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet estão vinculadas à aliança de Lula e Fernando Haddad. Do outro lado, Derrite e André do Prado integram o grupo apoiado por Tarcísio de Freitas.
A decisão de Salles altera a configuração das alianças, mas não determina o comportamento dos eleitores. A existência de dois votos para o Senado acrescenta outra variável: o eleitor pode escolher candidatos de grupos políticos diferentes.
Com a votação marcada para domingo, o novo acordo coloca em evidência três questões: a capacidade das campanhas de mobilizar seus apoiadores, a reação dos antigos eleitores de Salles e o peso das alianças partidárias nas escolhas individuais.
O fato político está definido: Ricardo Salles deixou a disputa e passou a apoiar dois antigos concorrentes. O efeito eleitoral dessa decisão, entretanto, permanece em aberto.