Senado rejeita Jorge Messias para o STF em decisão histórica

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Indicação recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários; foi a primeira vez em 132 anos que o Senado rejeitou um nome indicado ao Supremo

Por olhonamídia
Política & Economia | Congresso & STF
23 de maio de 2026

O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, em uma decisão que interrompeu uma sequência de mais de um século sem rejeições de nomes indicados à Corte.

Na votação realizada em 29 de abril de 2026, Messias recebeu 34 votos favoráveis, 42 contrários e uma abstenção. Para ser aprovado, precisava do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores.

A indicação havia sido feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou o Supremo em outubro de 2025.

Primeira rejeição em 132 anos

Segundo o Senado, a última vez que indicações presidenciais para o Supremo haviam sido rejeitadas ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

O resultado de 2026, portanto, representou a primeira rejeição de uma indicação ao STF pelo Senado em 132 anos.

A votação também demonstrou na prática o papel constitucional exercido pelo Senado no processo de escolha dos integrantes da Suprema Corte.

Indicação passa por presidente e Senado

Pela Constituição, os ministros do Supremo são escolhidos pelo presidente da República entre brasileiros com mais de 35 e menos de 70 anos de idade, notável saber jurídico e reputação ilibada.

O nome indicado precisa, porém, ser submetido ao Senado Federal. O procedimento inclui sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e votação pelos senadores.

A nomeação somente pode ocorrer depois da aprovação pela maioria absoluta do Senado.

Sabatina colocou independência no debate

Antes da votação em plenário, Jorge Messias foi submetido a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça.

Entre os assuntos discutidos estavam a independência de um ministro do Supremo em relação ao Poder Executivo, decisões monocráticas, segurança jurídica, atuação institucional da Corte e limites entre os Poderes.

O processo também recebeu participação popular por meio do portal e-Cidadania do Senado, com perguntas e manifestações sobre diferentes aspectos da atuação do STF e do perfil do indicado.

Resultado reforçou poder constitucional do Senado

A rejeição não alterou as regras constitucionais para a composição do Supremo, mas produziu um resultado raro na história institucional brasileira.

Embora a escolha inicial pertença ao presidente da República, cabe ao Senado decidir se concede ou não a aprovação necessária para que o indicado seja posteriormente nomeado.

Com a rejeição de Jorge Messias, a indicação não avançou para a etapa de nomeação, mantendo aberta a definição sobre o preenchimento da vaga no Supremo Tribunal Federal.

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