A reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval ultrapassou a fotografia política. Depois do encontro, o senador brasileiro usou a agenda em Washington para confrontar o governo Lula e apresentar segurança pública e aproximação com os Estados Unidos como pilares de seu discurso político.
Entre os temas levados ao presidente americano estava um pedido de forte impacto no Brasil: a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Naquele momento, segundo Flávio, Trump afirmou que o assunto estava sendo analisado.
O movimento tinha também uma dimensão eleitoral. Ao colocar PCC e Comando Vermelho no centro da agenda americana, Flávio reforçou uma pauta que sua articulação política buscava associar diretamente ao debate presidencial brasileiro.
O senador aproveitou a passagem pelos Estados Unidos para criticar Lula e apresentar uma eventual mudança de governo no Brasil como oportunidade para ampliar a cooperação com Washington. Ao mesmo tempo, afirmou que não havia pedido a Trump apoio formal à sua candidatura.
A movimentação não terminou no encontro com o presidente americano. No dia seguinte, Flávio voltou à Casa Branca e manteve reuniões com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, reiterando o pedido relacionado às facções brasileiras.
A sequência de encontros deu à viagem uma dimensão maior que a de uma visita protocolar. Washington tornou-se palco de uma estratégia política que conectou segurança pública, relações internacionais e a disputa eleitoral brasileira.
A repercussão ganhou um novo capítulo em 28 de maio. Dois dias depois do encontro de Flávio com Trump, o governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, com entrada em vigor prevista para 5 de junho.
A proximidade entre os acontecimentos deu ao senador um argumento político imediato para explorar a viagem. Isso, porém, não permite atribuir a decisão americana exclusivamente ao pedido apresentado por Flávio: a administração Trump já vinha discutindo a classificação das facções brasileiras antes da reunião.