Valdemar abre o jogo, lança Marinho ao comando do Senado e veta Alcolumbre

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Por olhonamídia
Notícias | Brasil
5 de outubro de 2026

A eleição terminou, mas outra disputa pelo poder em Brasília já começou.

Menos de 24 horas depois de as urnas redesenharem o Senado, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, colocou publicamente o nome de Rogério Marinho (PL-RN) na corrida pela Presidência da Casa e fechou a porta para uma eventual composição com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).

A declaração foi dada ao SBT News e ganha peso especial depois do avanço do PL nas eleições de 2026.

O partido deverá começar a próxima legislatura com 28 dos 81 senadores, formando a maior bancada da Casa.

É uma posição que não entrega automaticamente a Presidência do Senado a Marinho, mas oferece ao PL uma base de negociação muito diferente daquela existente nas disputas anteriores.

E Valdemar deixou claro que pretende transformar esse crescimento nas urnas em poder dentro do Congresso.

“Não tenho dúvida”

Questionado pelo SBT sobre se o PL trabalharia para colocar Rogério Marinho na Presidência do Senado, Valdemar não deixou a candidatura no terreno das insinuações.

A declaração de Valdemar

“Eu não tenho dúvida disso.”

Valdemar Costa Neto, ao ser questionado pelo SBT News sobre a candidatura de Rogério Marinho à Presidência do Senado.

O dirigente afirmou que Marinho reúne condições para ocupar o cargo e revelou parte da estratégia partidária.

Valdemar citou nominalmente PP, União Brasil e Republicanos ao falar das siglas que espera ter ao lado do PL na construção de uma maioria.

A declaração transforma uma articulação que já circulava nos bastidores em um movimento político assumido publicamente pela direção nacional do partido.

Alcolumbre? “Totalmente descartado”

Se Valdemar foi direto ao falar de Marinho, foi ainda mais categórico quando a pergunta passou para Davi Alcolumbre.

Questionado se o atual presidente do Senado estava descartado de uma negociação com o PL para 2027, respondeu:

Sem espaço para Alcolumbre

“Sim, sim. Totalmente descartado.”

O recado delimita desde já um dos principais campos de confronto da próxima legislatura.

Alcolumbre ocupa uma posição central no atual equilíbrio do Senado, enquanto o PL chegará à nova composição fortalecido pelo resultado das urnas e disposto a disputar diretamente o comando da Casa.

A matemática que fortalece Marinho

Os números ajudam a explicar por que a declaração de Valdemar tem peso.

O PL elegeu 19 senadores entre as 54 vagas colocadas em disputa em 2026 e deverá iniciar a próxima legislatura com uma bancada de 28 integrantes.

É mais de um terço das 81 cadeiras do Senado.

Mas existe uma fronteira importante entre força política e vitória assegurada.

Para controlar sozinho a eleição, o PL precisaria de 41 votos. Portanto, os 28 senadores do partido não bastam.

É justamente nesse espaço que entram PP, União Brasil, Republicanos e outros grupos que participarão da negociação.

A conta do Senado

O Senado tem 81 integrantes. O PL deverá começar 2027 com 28 cadeiras. A eleição para presidente exige maioria absoluta — 41 votos. Marinho, portanto, depende de uma coalizão que ultrapasse as fronteiras do próprio partido.

Valdemar coloca três partidos na mesa

É nesse ponto que aparece a parte politicamente mais relevante da entrevista.

Valdemar afirmou esperar o apoio do PP, União Brasil e Republicanos.

Se uma articulação entre essas bancadas for efetivamente construída e convertida em votos, o grupo terá peso suficiente para influenciar decisivamente a sucessão no Senado.

Mas existe uma ressalva indispensável: o apoio anunciado por um dirigente partidário não equivale automaticamente aos votos de todos os integrantes de uma bancada.

A eleição para a Presidência do Senado envolve negociações internas, composição da Mesa Diretora, presidências de comissões e acordos entre partidos e senadores.

Além disso, o voto para presidente da Casa é secreto.

Por isso, a declaração de Valdemar demonstra o tamanho da articulação pretendida pelo PL, mas não permite tratar o resultado de fevereiro como definido antecipadamente.

Marinho chega diferente à nova disputa

Rogério Marinho já conhece uma eleição para a Presidência do Senado.

Em fevereiro de 2023, enfrentou Rodrigo Pacheco e foi derrotado por 49 votos a 32.

Quatro anos depois, porém, o ambiente político que encontrará será diferente.

O PL cresceu, a composição do Senado mudou e partidos de centro e direita ampliaram sua presença na Casa.

Marinho também ocupa posição relevante na estrutura partidária: é líder da oposição no Senado e atua na coordenação política da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Isso não assegura sua eleição, mas altera substancialmente a base a partir da qual ele poderá negociar.

O Planalto também entrou na conversa

Valdemar introduziu ainda uma variável que impede qualquer leitura definitiva da disputa neste momento: a eleição presidencial.

Segundo o dirigente, o Executivo exerce forte influência sobre o Senado, razão pela qual ele relacionou a capacidade do PL de comandar a Casa ao resultado da corrida pelo Palácio do Planalto.

A própria declaração revela o tamanho do jogo.

A Presidência do Senado não será decidida apenas pelo número de cadeiras conquistadas nas urnas. Entrarão na equação o resultado presidencial, as alianças partidárias, a distribuição dos principais cargos da Casa e as negociações que ocorrerão até fevereiro de 2027.

Por que a Presidência do Senado virou peça central

A disputa vai muito além de um cargo de prestígio.

O presidente do Senado controla a pauta da Casa, exerce papel central nas negociações com o Palácio do Planalto e participa diretamente da definição da agenda institucional do Congresso.

O cargo ganhou importância adicional no embate envolvendo pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, enquanto a Presidência da Casa exerce papel decisivo na tramitação inicial desses pedidos.

Marinho já apresentou proposta para permitir que um pedido de impeachment possa avançar mediante apoio de 49 senadores, independentemente da decisão individual do presidente do Senado.

Esse histórico ajuda a explicar por que a sucessão de Alcolumbre se tornou uma das disputas institucionais mais observadas depois das eleições.

Análise | Olho na Mídia

O resultado das urnas colocou Rogério Marinho em uma posição politicamente mais robusta para disputar a Presidência do Senado do que aquela encontrada por ele em 2023.

A maior bancada pertence ao PL, Valdemar assumiu publicamente a candidatura e já cita três partidos para construir uma coalizão. O movimento torna Marinho um nome central da disputa, mas a distância entre 28 cadeiras e os 41 votos necessários mostra que a batalha ainda dependerá de uma negociação ampla.

A eleição terminou. A próxima já começou

A declaração de Valdemar Costa Neto estabelece um novo ponto de partida para o Senado que tomará posse em 2027.

O PL sai das urnas como maior bancada, Rogério Marinho é colocado oficialmente no centro da disputa e Davi Alcolumbre é publicamente vetado pelo presidente da legenda.

Agora começa a etapa mais silenciosa: a construção dos votos.

São 28 senadores do PL. São necessários 41 para comandar a Casa.

Entre um número e outro estão PP, União Brasil, Republicanos, outras bancadas e uma série de negociações que ainda atravessarão Brasília.

Valdemar colocou as cartas do PL sobre a mesa.

A batalha pelo comando do Senado já começou.

Fontes e referências

Apuração do Olho na Mídia a partir da entrevista de Valdemar Costa Neto ao SBT News, dados sobre a nova composição do Senado divulgados após as eleições de 2026 e informações públicas sobre a atuação de Rogério Marinho no Senado. Declarações sobre apoios de PP, União Brasil e Republicanos são atribuídas a Valdemar Costa Neto e não representam confirmação individual de voto dos integrantes dessas bancadas.

Geo D'Anjos
Geo D'Anjoshttps://olhonamidia.com
Geo D'Anjos é jornalista, editor-chefe do Olho na Mídia e CEO do Grupo Midiora. Com mais de 18 anos de experiência, atua em jornalismo digital, comunicação institucional, produção de conteúdo editorial, SEO e desenvolvimento de projetos de mídia online.

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