Lula ataca Ciro e acirra disputa pelo Centrão antes do segundo turno

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Por olhonamídia
Notícias | Brasil
26 de setembro de 2026

A menos de dez dias do primeiro turno, a disputa presidencial ganhou um novo capítulo nos bastidores de Brasília. O confronto político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a integrar as negociações sobre o posicionamento do Centrão em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

O episódio ganhou força depois que Lula chamou Ciro de “vira-lata” durante uma passagem pelo Piauí. Segundo apuração apresentada pelo jornalista Iander Porcella, do SBT News, o presidente do PP articula com Antônio Rueda, dirigente do União Brasil, uma reunião da federação União Progressista para 6 de outubro, dois dias depois da votação.

O objetivo é discutir a posição da federação diante do resultado das urnas, incluindo a possibilidade de apoio a Flávio Bolsonaro. Até o momento, não há decisão formal anunciada nesse sentido.

Uma declaração que entrou na negociação política

A relação entre Lula e Ciro Nogueira já estava marcada por interesses eleitorais distintos. O senador busca a reeleição no Piauí, onde enfrenta adversários ligados à base governista, enquanto o PP participa de uma federação que reúne diferentes correntes políticas e alianças regionais.

De acordo com a reportagem do SBT News, Ciro participou das articulações que levaram à neutralidade da federação no primeiro turno. A expectativa atribuída ao senador era evitar uma escalada de ataques pessoais durante a campanha estadual.

A declaração de Lula alterou o ambiente dessas conversas. Ainda segundo a apuração, quando questionado sobre a manutenção da neutralidade no segundo turno, Ciro tem encaminhado a interlocutores o vídeo em que recebe a crítica presidencial.

A discussão ultrapassa o episódio verbal: envolve alianças estaduais, a composição de uma eventual maioria parlamentar e o posicionamento de partidos que decidiram não assumir uma candidatura presidencial no primeiro turno.

Por que o Centrão deixou a decisão para depois das urnas?

A neutralidade adotada por diferentes legendas tem relação direta com a diversidade de seus palanques estaduais. No Nordeste, por exemplo, candidatos vinculados a partidos de centro mantêm alianças com lideranças próximas ao presidente Lula. Em outras regiões, integrantes dessas mesmas siglas participam de articulações com a oposição.

Uma manifestação nacional antecipada poderia produzir conflitos com esses acordos locais.

O calendário eleitoral ajuda a explicar a escolha de outubro como momento para uma nova negociação. No dia 4, além da Presidência da República, estarão em disputa os mandatos para o Congresso Nacional e as assembleias legislativas. Depois dessa votação, as direções partidárias terão um quadro mais definido de sua representação parlamentar.

O Tribunal Superior Eleitoral estabelece o primeiro turno para 4 de outubro e o eventual segundo turno para 25 de outubro.

Republicanos e PSD também entram nas conversas

As negociações não se restringem à União Progressista. Segundo a reportagem do SBT News, o Republicanos acompanha as discussões sobre o segundo turno, embora seu presidente, Marcos Pereira, tenha afirmado ao jornalista que não existe uma definição partidária.

A legenda reúne lideranças com diferentes compromissos regionais, entre elas o governador paulista Tarcísio de Freitas e o presidente da Câmara, Hugo Motta, que mantém uma articulação eleitoral própria na Paraíba.

No PSD, o posicionamento nacional também depende das decisões de suas lideranças. Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab representam dimensões distintas dessa negociação: a posição de um candidato presidencial não determina automaticamente a orientação de toda a estrutura partidária.

Esse conjunto de conversas demonstra que uma eventual composição para o segundo turno exige mais do que declarações individuais. Há interesses estaduais, decisões das direções partidárias e acordos que precisam ser conciliados.

O peso das pesquisas e a disputa pelas alianças

O reposicionamento discutido nos bastidores também ocorre em meio à divulgação de pesquisas sobre a disputa presidencial. Levantamentos recentes passaram a registrar uma disputa próxima entre Lula e Flávio Bolsonaro, embora cada pesquisa tenha metodologia, período de coleta e margem de erro próprios.

Na pesquisa Palver realizada entre 15 e 18 de setembro, com 5 mil eleitores consultados pela internet, Flávio registrou 42% das intenções de voto no primeiro turno e Lula, 41%. A margem de erro informada foi de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-00860/2026.

Esses números ajudam a contextualizar as conversas partidárias, mas não permitem antecipar o resultado das urnas nem demonstram, por si só, que uma aliança transferirá votos automaticamente de uma candidatura para outra.

O peso político de uma federação também passa pela mobilização de suas lideranças, pela estrutura regional de campanha e pela capacidade de construir acordos para uma eventual administração federal.

O que estará em jogo no dia 6 de outubro

A reunião articulada pela União Progressista deverá ocorrer em um momento de reorganização das forças partidárias, caso a disputa presidencial avance para o segundo turno.

Três questões estarão no centro das negociações: a manutenção ou revisão da neutralidade, a posição das lideranças regionais e a eventual construção de um compromisso nacional com uma das candidaturas.

O confronto entre Lula e Ciro Nogueira acrescenta uma dimensão pessoal a esse processo, mas não elimina os cálculos eleitorais e institucionais que orientam as decisões partidárias.

O primeiro turno ainda não aconteceu. Até lá, declarações, pesquisas e movimentações de bastidores continuarão alimentando a disputa por alianças. A decisão formal da federação, caso seja tomada na reunião anunciada, será o elemento que permitirá distinguir a articulação política de um apoio efetivamente confirmado.

Apuração e referências: SBT News, reportagem de Iander Porcella; Folha de S.Paulo, coluna Painel; Tribunal Superior Eleitoral e levantamento Palver de setembro de 2026.

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