Influenciadora foi acompanhada à distância antes da Operação Vérnix; investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao PCC
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi monitorada durante uma viagem à Itália por autoridades brasileiras com apoio da Interpol antes da deflagração da Operação Vérnix, investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane desembarcou em Roma em 27 de abril e permaneceu cerca de 20 dias no país. Durante esse período, autoridades acompanharam seus deslocamentos à distância enquanto avançavam as medidas que antecederam a operação realizada no Brasil.
A investigação teve dimensão internacional e envolveu cooperação entre autoridades brasileiras e italianas, além da Interpol. Deolane chegou a ser alvo de medida de localização internacional enquanto estava na Europa, segundo informações divulgadas sobre a operação.
A influenciadora retornou ao Brasil antes da deflagração da ação policial e foi presa em São Paulo no dia 21 de maio. A Operação Vérnix investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído pelas autoridades à estrutura financeira do PCC.
Investigação apura estrutura financeira
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, a investigação identificou movimentações financeiras, estruturas empresariais e operações patrimoniais que teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e da circulação de recursos.
As autoridades apuram a eventual participação de Deolane nessa estrutura. A defesa da influenciadora nega que ela tenha vínculo com organização criminosa e contesta as acusações apresentadas na investigação.
Além da influenciadora, a operação alcançou outros investigados apontados pelas autoridades como integrantes ou pessoas relacionadas à estrutura financeira sob apuração, incluindo familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, identificado pelas autoridades como liderança do PCC.
Declaração sobre Moro e Ruy Ferraz exige cautela
Em meio à repercussão da operação, declarações atribuídas à delegada Maria Corsato também levantaram questionamentos sobre possíveis conexões entre elementos de investigações anteriores e ameaças relacionadas ao senador Sergio Moro e ao ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes.
A declaração, entretanto, não comprova participação de Deolane em planos contra Moro ou no caso envolvendo Ruy Ferraz. Até aquele momento, não havia confirmação oficial apresentada pelas autoridades de que a influenciadora tivesse participado desses episódios.
Por isso, eventuais conexões entre os casos devem ser tratadas como linhas ou hipóteses mencionadas no contexto das investigações, e não como responsabilidade criminal estabelecida.
Defesa nega ligação com organização criminosa
A defesa de Deolane Bezerra nega envolvimento da influenciadora com o PCC e sustenta que não existem elementos capazes de comprovar participação em organização criminosa ou lavagem de dinheiro.
As suspeitas levantadas pelas autoridades ainda estão sujeitas ao contraditório e à análise do Poder Judiciário. Prisão, investigação ou indiciamento não representam, por si só, condenação.
O monitoramento realizado durante a passagem pela Itália mostra, porém, que a dimensão internacional da investigação já estava em curso antes da operação realizada no Brasil e que havia articulação entre autoridades de diferentes países para acompanhar os alvos e executar eventuais medidas judiciais.