Flávio aciona Fux contra Dino e leva disputa do TSE a novo capítulo no STF

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Por olhonamídia
Notícias | Brasil
28 de setembro de 2026

A disputa judicial envolvendo a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Nossa Senhora Aparecida e decisões conflitantes entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (28). Depois de Flávio Dino derrubar uma determinação de André Mendonça, a defesa do candidato do PL acionou Luiz Fux para tentar suspender os efeitos da intervenção.

A movimentação foi apresentada em um processo sobre o Marco Civil da Internet, relatado por Fux. A iniciativa coloca em discussão não apenas a circulação de informações falsas durante a campanha presidencial, mas também os limites da atuação individual dos ministros e os mecanismos utilizados para levar determinadas controvérsias ao Supremo.

O episódio ocorre na semana do primeiro turno e expõe uma divergência institucional sobre quem deve decidir, em última instância, quais conteúdos podem permanecer nas redes sociais durante uma eleição.

A defesa de Flávio Bolsonaro procura Luiz Fux depois que Dino afastou uma decisão de André Mendonça no TSE. O novo recurso amplia a discussão sobre os limites das decisões individuais no Judiciário.

Flávio recorre a Fux e reforça pedido após nova movimentação de Dino

Segundo a CNN Brasil, a defesa de Flávio Bolsonaro apresentou nesta segunda-feira um pedido a Luiz Fux para suspender a decisão de Flávio Dino que restabeleceu publicações relacionadas à controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida.

O pedido foi encaminhado no âmbito de uma ação sobre o Marco Civil da Internet, que trata de questões relacionadas à responsabilidade das plataformas digitais e à circulação de conteúdos na internet.

Horas depois, os advogados reforçaram a solicitação. O novo movimento ocorreu após Dino decidir encaminhar sua própria determinação ao plenário do STF.

Para a defesa, a decisão de levar o assunto ao colegiado reforça a existência de questões mais amplas sobre a competência da Justiça Eleitoral e os poderes das plataformas digitais.

A campanha pede que Fux suspenda os efeitos da decisão de Dino enquanto o Supremo examina as questões jurídicas relacionadas ao Marco Civil.

Até a atualização consultada nesta segunda-feira, o pedido havia sido apresentado e reforçado, mas não havia confirmação de uma decisão de Fux suspendendo a determinação de Dino.

Como Nossa Senhora Aparecida entrou no centro da disputa

A controvérsia começou com a circulação de publicações que associavam Flávio Bolsonaro e sua família a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A afirmação não possui comprovação factual. Não foi demonstrado que Flávio Bolsonaro tenha apresentado ou assumido compromisso com uma proposta dessa natureza.

Na sexta-feira (25), André Mendonça, atuando como ministro do TSE, determinou a remoção de publicações que associavam o candidato e seus familiares à suposta iniciativa. A decisão considerou a alegação notoriamente inverídica e estabeleceu medidas direcionadas às plataformas digitais.

Entre os conteúdos atingidos estava uma publicação do humorista Antonio Tabet, que utilizou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada de uma crítica à família Bolsonaro.

Tabet contestou a retirada da publicação perante o STF. O pedido chegou ao gabinete de Flávio Dino por meio de um processo anteriormente relacionado a conteúdos sobre a situação eleitoral de Deltan Dallagnol.

No domingo (27), Dino afastou os efeitos da decisão de Mendonça. O ministro considerou que a publicação questionada não identificava nominalmente Flávio Bolsonaro e que não havia demonstração suficiente de ilicitude para justificar a restrição imposta à liberdade de expressão.

A decisão não equivale a reconhecer como verdadeira a alegação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida. O entendimento de Dino se concentrou nos requisitos jurídicos para determinar a remoção do conteúdo.

A estratégia jurídica que levou o caso a outro gabinete

A escolha do processo relatado por Luiz Fux acrescentou uma nova dimensão à controvérsia.

A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que os temas levantados por Dino já estão relacionados à discussão sobre o Marco Civil da Internet, especialmente quanto à revisão de decisões individuais da Justiça Eleitoral e à responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdos.

A movimentação ocorre depois que a decisão de Mendonça foi questionada perante Dino em um processo originalmente relacionado a outra controvérsia eleitoral.

Nos dois episódios, a utilização de processos preexistentes passou a integrar a discussão jurídica. A existência de conexão entre as matérias pode justificar determinados requerimentos, mas também suscita questionamentos sobre as regras de distribuição e a competência do relator.

O debate envolve o princípio do juiz natural, segundo o qual a definição da autoridade responsável pelo julgamento deve observar critérios jurídicos previamente estabelecidos.

O ponto central da controvérsia processual é saber quando um novo pedido pode ser apresentado em uma ação já existente e quais limites devem ser observados para evitar o direcionamento indevido de processos.

Nunes Marques procura Fachin e alerta para risco institucional

Enquanto a defesa de Flávio Bolsonaro buscava uma nova decisão no Supremo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, encaminhou um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, manifestando preocupação com os efeitos de decisões monocráticas sobre determinações da Justiça Eleitoral.

Segundo o Poder360, Nunes Marques mencionou o risco de captura institucional ao tratar da controvérsia.

A manifestação amplia o alcance do episódio. A discussão deixa de estar restrita às partes envolvidas na publicação e passa a alcançar formalmente a relação entre as presidências das duas cortes.

O STF possui competência constitucional para examinar determinadas decisões eleitorais. O questionamento apresentado envolve os limites desse controle, os instrumentos processuais utilizados e a possibilidade de decisões individuais produzirem efeitos abrangentes sobre determinações de outra instância.

Dino, por sua vez, fundamenta sua intervenção na proteção da liberdade de expressão e no entendimento de que a retirada dos conteúdos não preenchia os requisitos jurídicos necessários.

Lula também foi questionado sobre a informação falsa

A controvérsia ultrapassou os tribunais e chegou diretamente à campanha presidencial.

Durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibida no domingo (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as publicações sobre Nossa Senhora Aparecida.

Ao ser questionado pela jornalista Adriana Araújo sobre o caráter falso da informação, Lula afirmou não saber se a alegação era falsa e mencionou sua circulação nas redes sociais.

O presidente também recordou episódios anteriores de ataques à imagem da santa e defendeu sua permanência como padroeira do Brasil.

A entrevista acrescentou um componente político à controvérsia, uma vez que a alegação já havia sido contestada judicialmente pela campanha adversária.

A repercussão evidencia a importância da verificação de informações durante o processo eleitoral, sobretudo quando envolvem religião, identidade cultural e declarações atribuídas a candidatos.

Dino encaminha decisão ao plenário: o que acontece agora?

O próprio Flávio Dino decidiu submeter sua determinação ao plenário do Supremo, transferindo ao colegiado a análise de questões relacionadas à atuação individual dos ministros e aos limites da revisão de decisões eleitorais.

Caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data de julgamento.

Paralelamente, permanece o pedido apresentado pela defesa de Flávio Bolsonaro a Luiz Fux.

São movimentações distintas, mas relacionadas ao mesmo conflito jurídico: a primeira busca uma manifestação colegiada sobre a decisão de Dino; a segunda pretende suspender seus efeitos por meio de outro processo em tramitação no Supremo.

O desfecho poderá esclarecer os parâmetros utilizados para remover publicações durante campanhas eleitorais e os limites de atuação de ministros do STF diante de decisões proferidas no TSE.

Às vésperas do primeiro turno, a controvérsia coloca em evidência uma exigência institucional: regras claras para candidatos, eleitores, plataformas digitais e para os próprios tribunais responsáveis pela aplicação da legislação eleitoral.

O pedido encaminhado a Fux, a manifestação de Nunes Marques e a decisão de Dino de levar o caso ao plenário demonstram que a discussão sobre uma publicação nas redes sociais adquiriu alcance institucional.

Agora, além da controvérsia eleitoral original, o Supremo terá de enfrentar as questões processuais e constitucionais levantadas pelas decisões conflitantes.

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