Americanas vira alvo de ação em Sergipe após jornadas superiores a 15 horas

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Por olhonamídia
Notícias | Sergipe em Foco
setembro 28, 2026

Registros de ponto revelaram expedientes superiores a 15 horas e casos de trabalhadores que passaram dez dias consecutivos sem descanso semanal regular. Ministério Público do Trabalho levou o caso à Justiça.

Uma investigação sobre as condições de trabalho nas Lojas Americanas em Sergipe colocou a rede varejista no centro de uma ação judicial. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT-SE), empregados chegaram a cumprir jornadas superiores a 15 horas diárias, além de enfrentarem convocações para novos expedientes sem o período mínimo de descanso previsto na legislação brasileira.

As irregularidades apontadas pelo órgão foram identificadas após uma denúncia e confirmadas, segundo o MPT, por meio da análise dos registros de ponto da empresa.

O caso resultou no ajuizamento de uma Ação Civil Pública contra a Americanas S.A., com pedido de indenização de R$ 600 mil por dano moral coletivo e imposição de medidas para assegurar o cumprimento das normas trabalhistas.

O que chama atenção não é apenas a duração dos expedientes, mas a combinação entre jornadas prolongadas, intervalos insuficientes e ausência de repouso semanal regular.

Mais de 15 horas de trabalho e retorno no dia seguinte

De acordo com o MPT-SE, a investigação encontrou situações em que trabalhadores ultrapassaram 15 horas de serviço em um único dia e foram novamente convocados para trabalhar no dia seguinte.

Também foram identificadas violações reiteradas do intervalo mínimo de 11 horas consecutivas que deve existir entre o encerramento de uma jornada e o início da seguinte.

A legislação trabalhista estabelece, como regra geral, jornada normal de até oito horas diárias e 44 semanais, admitindo até duas horas extras por dia, ressalvadas as hipóteses excepcionais previstas em lei.

O intervalo entre jornadas não é uma concessão facultativa da empresa. Trata-se de uma garantia legal destinada a assegurar tempo mínimo de recuperação física e mental ao trabalhador.

Dez dias consecutivos sem repouso semanal regular

Outro ponto identificado durante a apuração foi a ocorrência de empregados que trabalharam durante dez dias consecutivos sem a concessão regular do descanso semanal.

O repouso semanal remunerado é um direito previsto na legislação brasileira. Sua finalidade é assegurar ao trabalhador um período contínuo de descanso, preferencialmente aos domingos.

Na avaliação do Ministério Público do Trabalho, os registros examinados demonstram a necessidade de intervenção judicial para corrigir as práticas apontadas e impedir sua repetição.

Antes de recorrer à Justiça, o MPT-SE tentou estabelecer um acordo com a Americanas. A proposta não foi aceita, e o procurador do Trabalho Márcio Amazonas, titular do 9º Ofício da Procuradoria Regional do Trabalho da 20ª Região, ajuizou a ação.

MPT pede R$ 600 mil e multas por descumprimento

Na ação, o Ministério Público solicita que a Justiça do Trabalho determine à Americanas o cumprimento dos limites legais de jornada e a garantia de pelo menos 11 horas consecutivas de descanso entre dois expedientes.

O pedido também pretende impedir que a empresa convoque, escale ou permita o retorno de empregados antes do término desse intervalo, inclusive quando houver prestação de horas extras.

Além da indenização de R$ 600 mil por dano moral coletivo, o MPT requer multa de R$ 40 mil por obrigação descumprida, acrescida de R$ 4 mil por episódio de violação aos direitos trabalhistas.

Os valores são pedidos apresentados pelo órgão e dependem de apreciação judicial. Não representam condenação já imposta à companhia.

Americanas se manifesta sobre o processo

Em posicionamento divulgado pelo MPT-SE, a Americanas informou que recebeu a notificação na sexta-feira, 25 de setembro, e que estava tomando conhecimento dos detalhes da ação para apresentar sua manifestação nos autos.

A companhia também reafirmou seu compromisso com o cumprimento das obrigações trabalhistas e com a legislação vigente, destacando que busca manter relações transparentes e éticas com seus colaboradores.

A manifestação integra o contraditório da empresa diante das irregularidades apontadas pelo Ministério Público.

O que o processo coloca em discussão

A ação contra a Americanas traz à discussão os limites da organização das escalas no comércio e a responsabilidade das empresas pela preservação dos períodos legais de descanso.

O pagamento de horas extras, por si só, não afasta a obrigação de respeitar os limites de jornada e os intervalos assegurados aos empregados.

Para além da indenização solicitada, o processo busca estabelecer obrigações que impeçam a repetição das práticas identificadas pelo MPT-SE.

O desfecho dependerá da análise da Justiça do Trabalho, considerando os documentos apresentados, os argumentos do Ministério Público e a defesa da empresa.

DADOS DO PROCESSO
Ação Civil Pública: 0001508-63.2026.5.20.0009
Autor: Ministério Público do Trabalho
Empresa demandada: Americanas S.A.
Indenização solicitada: R$ 600 mil por dano moral coletivo.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE). Reportagem e contextualização: Olho na Mídia.

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