Jojo Todynho consegue mudar de cenário sem deixar a polêmica do lado de fora. Em questão de dias, a influenciadora saiu de uma das tretas mais barulhentas das redes sociais para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e falar sobre liberdade, fé, identidade e a própria trajetória.
O contraste não poderia ser mais Jojo.
Em 13 de maio, ela participou do debate “13 de Maio: A história que não te contaram”, promovido pelo vereador Rafael Satiê (PL). A discussão colocou no centro do plenário diferentes interpretações sobre a abolição da escravidão, a Lei Áurea, o papel da Princesa Isabel e a maneira como a história brasileira é apresentada atualmente.
Jojo, porém, levou para o microfone aquilo que sempre lhe rende mais repercussão: a própria vida.
Ao recordar a origem na Zona Oeste do Rio, Jojo falou dos trabalhos que exerceu antes da fama e atribuiu sua mudança de vida ao esforço, à persistência e à decisão de não permitir que a origem determinasse até onde poderia chegar.
Também rejeitou a ideia de construir sua história pessoal em torno da condição de vítima. A mensagem era clara: para Jojo, reconhecimento das dificuldades e afirmação de autonomia podem ocupar a mesma conversa.
É justamente essa narrativa que a influenciadora vem tentando fortalecer em sua imagem pública: uma mulher que fala de independência, responsabilidade individual, fé e liberdade sem pedir autorização para caber nas expectativas de determinado grupo.
E aqui entra o detalhe que torna a cena ainda mais interessante.
Poucos dias antes de ocupar o plenário, Jojo estava mergulhada em uma confusão pública com a influenciadora Malévola Alves. A troca de ataques nas redes escalou a ponto de as duas chegarem a combinar dia, horário e local para um confronto presencial em Bangu.
A confusão havia começado depois de uma discussão envolvendo o preço cobrado por um cabeleireiro e ganhou proporções muito maiores. Durante a troca de ataques, Malévola, que é uma mulher trans, acusou Jojo de transfobia por declarações feitas pela cantora. A acusação foi contestada no contexto da disputa pública, enquanto as duas continuaram trocando provocações.
Jojo chegou a marcar o encontro no Largo de Bangu, mas recuou antes da hora marcada. Depois, apareceu em uma delegacia e afirmou nas redes que havia sido tomada pela emoção e que o caminho correto seria resolver a situação de outra maneira.
Em resumo: em uma semana, Jojo saiu de uma briga que ameaçava virar confronto de rua para uma mesa de debate sobre história, liberdade e responsabilidade individual.
Se existe uma celebridade brasileira capaz de entregar uma mudança de roteiro desse tamanho sem perder completamente a coerência com a própria personagem pública, Jojo certamente disputa uma vaga.
Nos últimos anos, a vencedora de “A Fazenda 12” deixou de ser apenas a cantora irreverente que explodiu nacionalmente com “Que Tiro Foi Esse?”. Sua imagem passou a circular por territórios muito mais sensíveis: política, comportamento, religião, raça, gênero e disputas ideológicas.
Essa transformação trouxe novos públicos, mas também novas controvérsias. Cada declaração passou a ser examinada não apenas como fala de celebridade, mas como posicionamento público.
E Jojo parece ter escolhido não fugir dessa exposição.
Ela fala, responde, briga, recua quando considera necessário e volta a falar. Para quem acompanha sua trajetória, o silêncio definitivamente nunca foi uma estratégia de comunicação.
Há ainda outro componente nessa transformação de imagem. Jojo cursa Direito e vem incorporando essa nova fase à maneira como se apresenta publicamente.
Por isso, sua ida à Câmara também produz uma imagem curiosa: a mesma personalidade conhecida pela linguagem explosiva das redes agora aparece diante de microfones institucionais discutindo liberdade, história e cidadania.
Uma versão não necessariamente elimina a outra.
Na realidade, talvez seja justamente essa contradição que mantenha Jojo tão presente na conversa pública. Ela continua carregando a espontaneidade que a tornou famosa, mas agora tenta acrescentar novas camadas à personagem conhecida pelo grande público.
Jojo tem todo o direito de defender suas posições, assim como seus críticos têm o direito de confrontá-las. O que interessa ao Giro Fama é perceber o movimento que acontece por trás das declarações.
A celebridade que antes dominava manchetes principalmente por música, reality show e vida pessoal hoje também disputa espaço no debate público.
E isso muda o jogo da fama.
Porque cada aparição passa a funcionar simultaneamente como entretenimento, posicionamento e construção de reputação.
No caso de Jojo, nem mesmo as contradições desaparecem do pacote. Elas caminham junto com a personagem — da discussão nas redes ao curso de Direito, da delegacia à Câmara, de Bangu aos ambientes institucionais.
Jojo pode mudar de palco rapidamente. O que ela ainda não aprendeu — ou talvez nunca tenha desejado aprender — é passar despercebida.