Erick Ricarte: do Pânico ao recomeço, a história por trás dos holofotes

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Antes dos realities e da projeção nacional, houve reportagem, coluna social, televisão sergipana e uma saída traumática do Pânico. Erick caiu, voltou para Sergipe, reconstruiu a carreira e encontrou novos caminhos diante das câmeras
Por Geo D’Anjos
Coluna Giro Fama | Personalidades
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24 de maio de 2026 • Atualizada em 24 de setembro de 2026

Antes dos realities, das câmeras nacionais e do “bombonzinho” que virou bordão, Erick Ricarte já corria atrás de notícia, celebridade e espaço. A história começou em Sergipe, atravessou o colunismo social, chegou ao Pânico e quase foi interrompida por uma saída que ele próprio descreveu como devastadora.

Não foi.

Erick voltou.

E talvez seja justamente esse movimento de cair, retornar e continuar aparecendo em lugares diferentes que explique melhor sua trajetória do que qualquer discurso sobre fama ou estratégia digital.

Porque, por trás do personagem expansivo que o público nacional conheceu nos realities, existe um comunicador que aprendeu cedo a trabalhar com aquilo que continua movimentando boa parte do entretenimento brasileiro: gente, bastidor, notícia e câmera.

Antes da fama nacional, havia Sergipe

A trajetória profissional de Erick não começou dentro de um reality show.

Em Sergipe, ele construiu experiência em comunicação passando por reportagem, cobertura de entretenimento e colunismo social. Antes de ser personagem da notícia, estava do outro lado: acompanhando acontecimentos, circulando por eventos e trabalhando com os personagens que movimentavam a cena local.

Foi nesse ambiente que começou a desenvolver uma característica que depois ficaria evidente em praticamente todas as fases de sua carreira: Erick não trabalha bem escondido.

Ele gosta do contato, da pergunta, do improviso, da personalidade e do movimento que existe nos bastidores.

Antes de virar notícia, Erick Ricarte aprendeu a viver justamente no lugar onde muitas notícias começam: o bastidor.

A experiência construída em Sergipe abriu caminho para uma oportunidade muito maior — e também para o capítulo mais duro de sua história profissional.

O Pânico abriu a porta — e deixou cicatrizes

Entre 2014 e 2016, Erick integrou o universo do Pânico, fenômeno de humor que transitava pelo rádio e pela televisão e projetava seus personagens para uma audiência nacional.

Era a oportunidade que muita gente da comunicação regional sonhava encontrar: sair de Sergipe e entrar em uma das vitrines mais barulhentas do entretenimento brasileiro.

Mas a experiência teve um preço.

Anos depois, Erick relatou publicamente que sofreu ataques homofóbicos, xenofóbicos e relacionados ao seu corpo durante o período em que esteve no programa. Também afirmou ter sido demitido ao vivo por Emílio Surita.

São relatos feitos pelo próprio comunicador sobre aquela fase.

Segundo Erick contou em entrevista ao Notícias da TV, o impacto ultrapassou a esfera profissional: depois da saída, enfrentou depressão, fez uso de medicamentos controlados e chegou a acreditar que não conseguiria retornar à televisão.

A vitrine que parecia representar a chegada ao mercado nacional terminou, segundo o próprio Erick, como um dos períodos mais difíceis de sua vida.

Para quem havia saído de Sergipe em busca de projeção, voltar poderia parecer derrota.

Acabou funcionando como reconstrução.

A volta para Sergipe não foi o fim

Erick retornou ao estado onde havia começado e encontrou novamente espaço diante das câmeras.

Na TV Atalaia, afiliada da Record em Sergipe, assumiu uma versão local de A Hora da Venenosa, dentro da programação da emissora.

O movimento tinha um simbolismo difícil de ignorar.

O comunicador que acreditou que talvez não voltasse à televisão estava novamente no vídeo — e justamente trabalhando com celebridades, entretenimento, comentário e notícia.

O colunismo que havia feito parte de sua formação profissional reaparecia agora com outra linguagem.

Não era mais apenas o rapaz que havia passado pelo Pânico. Era alguém tentando reorganizar a própria trajetória depois dele.

Erick Ricarte em registro de sua trajetória na comunicação e no entretenimento

Erick Ricarte construiu uma trajetória que passou pelo colunismo social, reportagem, rádio, televisão, realities e cobertura de entretenimento. Depois de uma fase difícil no mercado nacional, o comunicador voltou a Sergipe e reconstruiu sua presença diante das câmeras. Imagem: olhonamídia/divulgação.
De comunicador a personagem do reality

Até então, Erick estava acostumado a observar personagens.

Em 2023, decidiu virar um deles.

A participação na primeira temporada de A Grande Conquista, da Record, apresentou ao Brasil uma versão muito mais exposta de Erick Ricarte.

Dentro do confinamento, apareceram o temperamento, as provocações, o humor, os conflitos e uma personalidade que dificilmente passaria despercebida.

A própria Record o descreveu como alguém “sem papas na língua”. Durante o programa, acumulou discussões, alianças e desafetos até ser eliminado da competição.

Não ganhou o reality.

Mas saiu dele com algo que, para quem trabalha com entretenimento, também tem valor: reconhecimento nacional.

Meses depois, Erick voltou ao universo dos realities da emissora ao disputar o Paiol de A Fazenda 15.

Erick passou anos contando histórias de famosos. No reality, descobriu o que acontece quando a história — e a polêmica — passam a ser sobre ele.
O repórter reaparece no R7

A exposição dos realities poderia ter empurrado Erick definitivamente para o território de ex-participante de programa de televisão.

Mas aconteceu algo diferente.

Em 2024, ele ganhou um espaço próprio no R7, portal ligado ao Grupo Record.

No texto de estreia, comemorou o que chamou de realização de um sonho: ter um blog para chamar de seu dentro do portal.

O espaço passou a reunir notícias sobre celebridades, realities, entrevistas, opinião e cobertura de acontecimentos do entretenimento.

Era, de certa maneira, uma volta à origem.

Depois de ser personagem de reality e experimentar a exposição de dentro do entretenimento, Erick retornava ao exercício de observar, entrevistar e publicar sobre outras pessoas.

O colunista social não havia desaparecido. Apenas tinha atravessado outras versões de si mesmo.

Sergipe voltou para o centro da história

Em 2026, outro capítulo reforçou essa ligação.

Durante os festejos juninos, Erick assumiu a apresentação da cobertura do Arraiá do Povo pela Aperipê TV, emissora pública sergipana.

Foram 26 dias de transmissões com entrevistas, bastidores, apresentações musicais e cobertura da festa.

Reportagens publicadas após o evento apontaram que as transmissões oficiais ultrapassaram 1 milhão de visualizações no YouTube da Aperipê TV.

Mais importante do que o número, porém, é o desenho da trajetória.

O mesmo estado de onde Erick havia saído em busca de uma oportunidade nacional reaparecia agora não como ponto de partida a ser deixado para trás, mas como parte do próprio trabalho.

Ele saiu de Sergipe para buscar o Brasil. Anos depois, descobriu que podia continuar falando para o Brasil sem precisar apagar Sergipe da própria história.
Nem sempre foi bonito — e talvez esteja aí a história

A trajetória de Erick Ricarte não cabe bem em uma biografia de sucesso linear.

Houve oportunidade nacional e houve queda. Houve televisão e afastamento dela. Houve reportagem, coluna social, reality, conflitos, exposição e retorno ao jornalismo de entretenimento.

Também houve uma mudança curiosa de posição.

Em determinados momentos, Erick segurou o microfone.

Em outros, foi interrogado por ele.

Já escreveu sobre celebridades, virou celebridade de reality e depois voltou a escrever sobre famosos.

Essa alternância ajuda a explicar por que sua trajetória é mais interessante do que o discurso fácil de “influenciador que ganhou visibilidade”.

Erick conhece os dois lados da engrenagem.

O menino do bastidor ainda está ali

Hoje, quando aparece diante das câmeras, existe uma bagagem que não começou com seguidores e tampouco nasceu dentro de um confinamento.

Começou no interesse por gente, notícia, festa, celebridade e bastidor.

É uma trajetória com excessos, tropeços e recomeços — e talvez seja justamente por isso que tenha resistido a tantas mudanças de formato.

Do colunismo social sergipano ao Pânico. Do trauma relatado após a demissão ao retorno pela TV Atalaia. Dos realities da Record ao espaço como colunista do R7. E, mais recentemente, novamente diante das câmeras em Sergipe.

Erick Ricarte não construiu uma carreira em linha reta.

E ainda bem.

Porque, no entretenimento, trajetórias perfeitamente calculadas costumam render bons releases.

As que sobrevivem a quedas, conflitos e recomeços rendem histórias muito melhores.

Reportagem originalmente publicada em 24 de maio de 2026 e ampliada em 24 de setembro de 2026 com informações sobre diferentes fases da trajetória profissional de Erick Ricarte e sua atuação posterior na cobertura do Arraiá do Povo.

Geo D'Anjos
Geo D'Anjoshttps://olhonamidia.com
Geo D'Anjos é jornalista, editor-chefe do Olho na Mídia e CEO do Grupo Midiora. Com mais de 18 anos de experiência, atua em jornalismo digital, comunicação institucional, produção de conteúdo editorial, SEO e desenvolvimento de projetos de mídia online.

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