Bruna Marquezine não emprestou apenas o rosto para uma campanha de automóveis. Ao ser escolhida como embaixadora da Omoda no Brasil, a atriz passou a ocupar justamente o território que a marca pretende disputar: aquele em que carro, moda, tecnologia e desejo começam a falar a mesma língua.
A parceria foi anunciada oficialmente em outubro de 2025, quando Bruna se tornou o rosto da campanha brasileira dos SUVs híbridos Omoda 5 e Omoda 7.
A escolha dificilmente poderia ser considerada aleatória.
Bruna atravessou há tempos a fronteira da atriz que simplesmente aparece bem-vestida. Sua imagem passou a circular entre semanas de moda, campanhas, tapetes vermelhos, audiovisual e marcas que procuram exatamente uma combinação cada vez mais valiosa: reconhecimento popular com acabamento internacional.
E é justamente essa imagem que a Omoda colocou no banco da frente.
Existe uma diferença entre contratar uma celebridade para aparecer ao lado de um carro e escolher alguém para traduzir o posicionamento que se pretende construir ao redor dele.
No anúncio da parceria, a própria Omoda associou Bruna a conceitos como tecnologia, design e autenticidade. Também colocou a atriz como protagonista da campanha de lançamento dos Omoda 5 e Omoda 7 no mercado brasileiro.
Ou seja: o carro é o produto, mas a imagem também está à venda.
Bruna entra justamente nesse segundo território.
Seu papel ajuda a deslocar a conversa do universo puramente automotivo para moda, comportamento e lifestyle. Em vez de falar apenas de motor, desempenho e equipamentos, a marca tenta fazer o automóvel participar de uma construção estética.
Não basta dirigir. É preciso desejar pertencer à cena.
Essa estratégia ficou ainda mais evidente quando a relação entre Bruna, Omoda e moda deixou o território conceitual e passou para os eventos.
No Vogue Ball, a marca colocou o Omoda 7 dentro de um dos ambientes mais associados à moda e à imagem no Brasil, enquanto Bruna aparecia novamente como elo entre o automóvel e esse universo.
A aproximação também dialoga com movimentos anteriores da fabricante, que levou o Omoda 7 ao São Paulo Fashion Week e passou a trabalhar publicamente a ideia de aproximar mobilidade, design e lifestyle.
É uma mudança interessante na linguagem.
Durante décadas, publicidade automotiva vendeu potência, velocidade, estrada e desempenho. A nova disputa premium acrescentou outra camada: o carro como objeto de estilo.
E poucas celebridades brasileiras estão hoje tão inseridas nesse território quanto Bruna.
Parte da força dessa associação está justamente na maneira como a imagem pública de Bruna foi sendo refinada.
O luxo contemporâneo já não depende necessariamente de excesso, logotipos gigantes ou ostentação explícita. Muitas vezes ele funciona pelo corte da roupa, pela fotografia, pelo ambiente, pela associação correta e pela sensação de exclusividade.
Bruna aprendeu a circular nesse código.
Seu estilo público mistura peças de moda internacional, produções minimalistas e aparições de maior impacto sem transformar cada saída em uma disputa desesperada por atenção.
O sofisticado contemporâneo não precisa gritar. Precisa ser reconhecido.
E essa lógica ajuda a explicar por que sua imagem funciona tão bem para uma fabricante que tenta colocar design e tecnologia no centro da percepção de seus veículos.


É aqui que a história fica mais interessante para além dos carros.
Bruna Marquezine construiu uma imagem comercial que já não depende exclusivamente de novela, filme ou série em cartaz.
Sua presença pública circula por vários mercados ao mesmo tempo. Entretenimento, moda, beleza, publicidade e lifestyle passaram a conversar dentro de uma mesma identidade.
Isso muda o valor de uma celebridade para as marcas.
Ela deixa de funcionar apenas como garota-propaganda e passa a operar como atalho de percepção: ao colocar determinada personalidade ao lado de um produto, a empresa tenta transferir para ele parte dos atributos que o público associa àquela pessoa.
No caso de Bruna, a Omoda procura exatamente essa ponte.
O carro fornece tecnologia. Bruna fornece atmosfera.
A estratégia da fabricante deixa isso cada vez mais evidente.
A presença do Omoda 7 em eventos ligados à moda coloca o SUV em ambientes muito diferentes de uma concessionária ou salão automotivo tradicional.
O objetivo é aproximá-lo de um consumidor que observa não apenas ficha técnica, mas design, experiência digital, acabamento e aquilo que o produto comunica socialmente.
O Omoda 7 chegou ao mercado brasileiro com uma proposta de posicionamento mais sofisticada, incluindo recursos tecnológicos e de conforto que ajudam a sustentar essa narrativa premium.
Mas nenhuma ficha técnica, sozinha, cria desejo.
É aí que entram fotografia, moda, eventos, celebridades — e Bruna Marquezine.
A Omoda vende automóveis. Mas, ao colocar Bruna no centro da campanha, deixa claro que também quer vender imagem.
Para a atriz, a parceria também amplia um movimento que já vinha sendo construído: o de ocupar espaços em que entretenimento e moda deixam de ser universos separados.
Ela não precisa abandonar a atuação para fortalecer seu valor fashion. Nem precisa transformar cada aparição em campanha para que as marcas reconheçam esse potencial.
A força está justamente na interseção.
É atriz, celebridade, referência de estilo e personalidade publicitária ao mesmo tempo.
Por isso, talvez a fotografia de Bruna ao lado de um Omoda diga mais sobre o mercado de celebridades atual do que parece à primeira vista.
Hoje, fama não é apenas ser reconhecido.
É conseguir fazer uma roupa, uma bolsa, um destino — ou até um automóvel — parecer mais desejável simplesmente porque você entrou em cena.