Neymar vira símbolo de um Santos entre reação e frustração

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Por olhonamídia
Esportes | bastidores do futebol
17 de maio de 2026 • atualizado em 25 de setembro de 2026

Polêmica com arbitragem, lesões e eliminações atravessaram a temporada do camisa 10; enquanto Neymar se recupera de novo problema muscular, Peixe reage no Brasileiro e tenta salvar 2026

Em maio, Neymar deixou uma derrota por 3 a 0 para o Coritiba reclamando de uma substituição realizada por engano e cobrando que a arbitragem reconhecesse o erro. Quatro meses depois, aquele episódio parece pequeno diante do tamanho da montanha-russa que se tornou a temporada do Santos.

Houve pressão, lesões, eliminações, momentos de reação e novas frustrações. E Neymar, para o bem e para o mal, permaneceu no centro de boa parte dessa história.

Hoje, porém, o camisa 10 acompanha de fora uma fase decisiva. Uma lesão muscular tipo 2B no reto anterior da coxa direita o afastou novamente dos gramados e pode mantê-lo sem jogar por até dois meses. Sem sua principal estrela, o Santos foi eliminado da Copa Sul-Americana, mas conseguiu reagir no Campeonato Brasileiro.

O episódio de maio começou como uma discussão sobre arbitragem. A temporada transformou a história em algo maior: até que ponto o Santos consegue construir estabilidade quando seu principal jogador passa tanto tempo entre protagonismo e recuperação física?

A noite em que tudo deu errado

A origem desta história está em 17 de maio. O Santos recebeu o Coritiba pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas a partida não foi disputada na Vila Belmiro. O palco foi a Neo Química Arena, em São Paulo.

O resultado foi pesado: 3 a 0 para o Coritiba. Breno Lopes marcou duas vezes ainda nos primeiros 20 minutos e Josué ampliou de pênalti antes do intervalo. Mais de 45 mil torcedores acompanharam a partida.

No segundo tempo, uma situação incomum colocou Neymar no centro da discussão.

O atacante havia solicitado atendimento e esperava retornar ao gramado, mas uma confusão no procedimento à beira do campo terminou com sua substituição oficializada. Neymar contestou a decisão e posteriormente afirmou que árbitro, quarto árbitro e delegado haviam interferido indevidamente no processo.

Na saída, cobrou que a equipe de arbitragem reconhecesse o erro. O episódio ganhou repercussão justamente porque não se tratava de uma discussão subjetiva sobre falta ou pênalti, mas de uma confusão operacional envolvendo uma substituição.

A derrota para o Coritiba terminou 3 a 0 e a discussão sobre a substituição virou manchete. Mas os meses seguintes mostrariam que o maior desafio de Neymar e do Santos não estava na arbitragem.

O corpo voltou a interromper Neymar

O ponto mais delicado da temporada voltou a aparecer em setembro.

Neymar sentiu a coxa direita durante o empate sem gols contra o Palmeiras, em 2 de setembro, pela Copa do Brasil. Ele deixou a partida no intervalo e exames posteriores constataram uma lesão muscular tipo 2B no reto anterior da coxa direita.

É uma lesão moderada, caracterizada por ruptura parcial de fibras musculares. A estimativa divulgada no início do tratamento indicava de quatro a oito semanas de recuperação, com possibilidade de o atacante perder pelo menos dez partidas.

O problema atingiu justamente um período em que o Santos disputava decisões em diferentes frentes.

Sem Neymar, a Sul-Americana escapou de forma cruel

A ausência teve peso especial na Copa Sul-Americana. Sem Neymar, o Santos abriu uma vantagem importante nas quartas de final ao vencer o Atlético-MG por 2 a 0 na partida de ida.

Na volta, entretanto, a classificação escapou de maneira dramática. O Atlético-MG venceu por 4 a 2 na Arena MRV, igualou o confronto no agregado e levou a decisão para os pênaltis.

O Santos perdeu a disputa por 3 a 1 e voltou a parar nas quartas de final da competição continental.

A eliminação foi especialmente dolorosa porque o clube havia construído uma vantagem de dois gols e chegou aos acréscimos da partida de volta ainda em posição de classificação.

Neymar não esteve em campo para tentar impedir a queda. Sua recuperação física o transformou novamente em espectador justamente quando o clube mais precisava de suas principais referências.

Mas o Santos reagiu no Brasileiro

Se as copas produziram frustração, o Campeonato Brasileiro começou a oferecer sinais diferentes.

Em 19 de setembro, o Santos derrotou o Remo por 2 a 1 no Mangueirão e chegou aos 38 pontos. Rony abriu o placar, Marllon empatou e Gabigol decidiu a partida nos minutos finais.

A vitória ampliou para seis jogos a sequência de invencibilidade santista no Brasileiro e levou a equipe provisoriamente à oitava colocação.

É uma mudança importante de cenário. No início de setembro, o Santos ainda estava perigosamente próximo da parte inferior da tabela. Agora, embora a temporada permaneça marcada pelas eliminações, existe margem para terminar o ano em posição muito mais confortável.

Neymar continua sendo a grande equação

A questão que atravessa toda a temporada santista é justamente essa. Quando está disponível, Neymar modifica a dimensão técnica, comercial e midiática do clube. Quando fica fora, o Santos precisa provar que consegue sobreviver esportivamente sem organizar todo o projeto ao redor do camisa 10.

O problema não é apenas quantos jogos Neymar disputa. É a dificuldade de construir continuidade quando um jogador tão importante precisa alternar períodos de atuação com processos de recuperação.

O Santos tem outros protagonistas. Gabigol terminou sua participação na Sul-Americana como artilheiro da competição, com seis gols, e voltou a decidir contra o Remo. Rony também apareceu na reação recente do Brasileiro.

Essa distribuição de responsabilidades pode ser uma das consequências mais importantes da ausência de Neymar.

Um Santos dependente de Neymar pode ser mais talentoso quando ele joga. Um Santos capaz de competir sem Neymar pode ser mais sustentável ao longo de uma temporada.

De maio a setembro, a crise mudou de endereço

Aquela derrota para o Coritiba deixou uma imagem de turbulência: placar pesado, Neymar irritado, confusão com a arbitragem e cobrança sobre o desempenho da equipe.

Quatro meses depois, algumas perguntas mudaram.

O Santos continua longe de uma temporada tranquila. Foi eliminado pelo Palmeiras na Copa do Brasil, caiu dramaticamente diante do Atlético-MG na Sul-Americana e perdeu Neymar novamente por lesão.

Mas a reação no Brasileiro mostra que a temporada também não pode mais ser resumida pela imagem de um clube em queda livre.

Há uma equipe tentando se reorganizar enquanto seu maior personagem trabalha no departamento médico.

O próximo capítulo será o retorno

O calendário agora trabalha contra Neymar. Dependendo da evolução clínica, o atacante pode retornar apenas na reta final do Campeonato Brasileiro.

Até lá, o Santos terá de continuar encontrando respostas sem ele.

Se conseguir sustentar a recuperação no campeonato, Neymar poderá voltar para um time menos pressionado e mais equilibrado. Se os resultados piorarem, seu retorno novamente será cercado pela expectativa de que um único jogador mude o destino da temporada.

É justamente aí que a história iniciada naquela confusão de maio encontra seu ponto atual. A arbitragem errou, Neymar protestou e a repercussão foi enorme. Mas 2026 acabou colocando diante do Santos uma questão muito maior do que aquela substituição: construir um time capaz de competir mesmo quando seu principal astro não está disponível.

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