Polêmica com arbitragem, lesões e eliminações atravessaram a temporada do camisa 10; enquanto Neymar se recupera de novo problema muscular, Peixe reage no Brasileiro e tenta salvar 2026
Em maio, Neymar deixou uma derrota por 3 a 0 para o Coritiba reclamando de uma substituição realizada por engano e cobrando que a arbitragem reconhecesse o erro. Quatro meses depois, aquele episódio parece pequeno diante do tamanho da montanha-russa que se tornou a temporada do Santos.
Houve pressão, lesões, eliminações, momentos de reação e novas frustrações. E Neymar, para o bem e para o mal, permaneceu no centro de boa parte dessa história.
Hoje, porém, o camisa 10 acompanha de fora uma fase decisiva. Uma lesão muscular tipo 2B no reto anterior da coxa direita o afastou novamente dos gramados e pode mantê-lo sem jogar por até dois meses. Sem sua principal estrela, o Santos foi eliminado da Copa Sul-Americana, mas conseguiu reagir no Campeonato Brasileiro.
A noite em que tudo deu errado
A origem desta história está em 17 de maio. O Santos recebeu o Coritiba pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas a partida não foi disputada na Vila Belmiro. O palco foi a Neo Química Arena, em São Paulo.
O resultado foi pesado: 3 a 0 para o Coritiba. Breno Lopes marcou duas vezes ainda nos primeiros 20 minutos e Josué ampliou de pênalti antes do intervalo. Mais de 45 mil torcedores acompanharam a partida.
No segundo tempo, uma situação incomum colocou Neymar no centro da discussão.
O atacante havia solicitado atendimento e esperava retornar ao gramado, mas uma confusão no procedimento à beira do campo terminou com sua substituição oficializada. Neymar contestou a decisão e posteriormente afirmou que árbitro, quarto árbitro e delegado haviam interferido indevidamente no processo.
Na saída, cobrou que a equipe de arbitragem reconhecesse o erro. O episódio ganhou repercussão justamente porque não se tratava de uma discussão subjetiva sobre falta ou pênalti, mas de uma confusão operacional envolvendo uma substituição.
O corpo voltou a interromper Neymar
O ponto mais delicado da temporada voltou a aparecer em setembro.
Neymar sentiu a coxa direita durante o empate sem gols contra o Palmeiras, em 2 de setembro, pela Copa do Brasil. Ele deixou a partida no intervalo e exames posteriores constataram uma lesão muscular tipo 2B no reto anterior da coxa direita.
É uma lesão moderada, caracterizada por ruptura parcial de fibras musculares. A estimativa divulgada no início do tratamento indicava de quatro a oito semanas de recuperação, com possibilidade de o atacante perder pelo menos dez partidas.
O problema atingiu justamente um período em que o Santos disputava decisões em diferentes frentes.
Sem Neymar, a Sul-Americana escapou de forma cruel
A ausência teve peso especial na Copa Sul-Americana. Sem Neymar, o Santos abriu uma vantagem importante nas quartas de final ao vencer o Atlético-MG por 2 a 0 na partida de ida.
Na volta, entretanto, a classificação escapou de maneira dramática. O Atlético-MG venceu por 4 a 2 na Arena MRV, igualou o confronto no agregado e levou a decisão para os pênaltis.
O Santos perdeu a disputa por 3 a 1 e voltou a parar nas quartas de final da competição continental.
A eliminação foi especialmente dolorosa porque o clube havia construído uma vantagem de dois gols e chegou aos acréscimos da partida de volta ainda em posição de classificação.
Neymar não esteve em campo para tentar impedir a queda. Sua recuperação física o transformou novamente em espectador justamente quando o clube mais precisava de suas principais referências.
Mas o Santos reagiu no Brasileiro
Se as copas produziram frustração, o Campeonato Brasileiro começou a oferecer sinais diferentes.
Em 19 de setembro, o Santos derrotou o Remo por 2 a 1 no Mangueirão e chegou aos 38 pontos. Rony abriu o placar, Marllon empatou e Gabigol decidiu a partida nos minutos finais.
A vitória ampliou para seis jogos a sequência de invencibilidade santista no Brasileiro e levou a equipe provisoriamente à oitava colocação.
É uma mudança importante de cenário. No início de setembro, o Santos ainda estava perigosamente próximo da parte inferior da tabela. Agora, embora a temporada permaneça marcada pelas eliminações, existe margem para terminar o ano em posição muito mais confortável.
Neymar continua sendo a grande equação
A questão que atravessa toda a temporada santista é justamente essa. Quando está disponível, Neymar modifica a dimensão técnica, comercial e midiática do clube. Quando fica fora, o Santos precisa provar que consegue sobreviver esportivamente sem organizar todo o projeto ao redor do camisa 10.
O problema não é apenas quantos jogos Neymar disputa. É a dificuldade de construir continuidade quando um jogador tão importante precisa alternar períodos de atuação com processos de recuperação.
O Santos tem outros protagonistas. Gabigol terminou sua participação na Sul-Americana como artilheiro da competição, com seis gols, e voltou a decidir contra o Remo. Rony também apareceu na reação recente do Brasileiro.
Essa distribuição de responsabilidades pode ser uma das consequências mais importantes da ausência de Neymar.
De maio a setembro, a crise mudou de endereço
Aquela derrota para o Coritiba deixou uma imagem de turbulência: placar pesado, Neymar irritado, confusão com a arbitragem e cobrança sobre o desempenho da equipe.
Quatro meses depois, algumas perguntas mudaram.
O Santos continua longe de uma temporada tranquila. Foi eliminado pelo Palmeiras na Copa do Brasil, caiu dramaticamente diante do Atlético-MG na Sul-Americana e perdeu Neymar novamente por lesão.
Mas a reação no Brasileiro mostra que a temporada também não pode mais ser resumida pela imagem de um clube em queda livre.
Há uma equipe tentando se reorganizar enquanto seu maior personagem trabalha no departamento médico.
O próximo capítulo será o retorno
O calendário agora trabalha contra Neymar. Dependendo da evolução clínica, o atacante pode retornar apenas na reta final do Campeonato Brasileiro.
Até lá, o Santos terá de continuar encontrando respostas sem ele.
Se conseguir sustentar a recuperação no campeonato, Neymar poderá voltar para um time menos pressionado e mais equilibrado. Se os resultados piorarem, seu retorno novamente será cercado pela expectativa de que um único jogador mude o destino da temporada.
É justamente aí que a história iniciada naquela confusão de maio encontra seu ponto atual. A arbitragem errou, Neymar protestou e a repercussão foi enorme. Mas 2026 acabou colocando diante do Santos uma questão muito maior do que aquela substituição: construir um time capaz de competir mesmo quando seu principal astro não está disponível.